Torcer sem esquecer que está no trabalho

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Funcionários devem usar o bom senso ao assistir os jogos da seleção

Há menos de 15 dias da abertura da Copa do Mundo, na África do Sul, este tem sido o assunto em todos cantos, inclusive nas empresas. Como a seleção brasileira terá partidas no meio da semana, é certo que várias organizações farão uma paralisação no expediente para que todos possam acompanhar os jogos. Entretanto, nunca é demais lembrar que ninguém está no estádio. E, sim, no ambiente de trabalho. Logo, é preciso um certo cuidado antes de vestir a camisa verde e amarela.

Segundo Bráulio Candian Jr, executivo de Marketing da consultoria Sampling Planejamento, ter uma conduta adequada não impede a torcida.

Bandeiras sim, mas cornetas e apitos, somente se a empresa autorizar. Vale lembrar que o funcionário não está dentro do estádio e seus colegas poderão se irritar com o excesso de barulho. Torcer de forma vibrante vale, porém, tendo o cuidado com o uso de palavras obscenas ressalta.

Moderação

O professor de de administração da Academia do Concurso, Fábio Alexandre, recomenda moderação em todos os sentidos. Seja na bebida alcoólica no almoço ou no excesso de intimidade.

Em relação ao seu chefe, deixe que ele tome a iniciativa no que se refere ao grau de liberdade que acha adequado para o ambiente. Ou seja, naquele gol do Brasil no finzinho do primeiro tempo, você não vai sair correndo para abraçá-lo, pois pode ser que ele não esteja de acordo e os seus amigos de trabalho comecem a ver você como um puxa-saco. Lembrando também que na naquele lance em que o juiz anulou um gol legítimo, caso o seu chefe não chame o juiz de ladrão, safado, não é você que vai fazer isso aconselha.

No entanto, há empregadores que preferem liberar os funcionários para assistir aos jogos como recurso para melhorar as relações de trabalho. Encerrar o expediente um pouco mais cedo pode ser sinônimo de lucro e não de perdas financeiras. A flexibilidade da empresa não deve ser acompanhada de um retorno abusivo, avisa a socióloga do trabalho Natália Pacheco Junior.

Alguns funcionários interpretam equivocadamente a abertura dada pela empresa como um motivo para extrapolarem. Não estendam este período por todo o dia, nem deixem seus afazeres sob a desculpa de que não conseguem se concentrar no trabalho. Mostrem para o chefe que, antes de sair para assistir ao jogo, vocês querem fazer o máximo pela empresa diz.

A Copa do Mundo, de acordo com especialistas, não pode ser utilizada como desculpa para faltas injustificadas. De acordo com Leandro Antunes, especialista em direito do trabalho, o empregador poderá liberar o empregado sempre que entender que o motivo é razoável, mesmo não estando a falta prevista em lei, o que não resultaria em desconto do dia não trabalhado.

Marcelo Segal, juiz do trabalho e professor do Centro de Estudos, Pesquisa e Atualização em Direito (Cepad), lembra que é comum a maioria das empresas liberar o funcionário. Segundo ele, a negociação pela compensação de horas não-trabalhadas deve gerar o mínimo de prejuízo para o trabalhador.

Uma compensação muito grande pode prejudicar o empregado que faça faculdade à noite. É melhor a compensação feita aos poucos recomenda.