EAD em prol da inclusão

Carlos Alberto Chiarelli, Jornal do Brasil

RIO - Assegurar às pessoas com necessidades especiais condições de sentirem-se seguras e preparadas visando a contribuir para o desenvolvimento do Brasil ainda é um desafio no nosso país.

Uma pesquisa da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) de 2008 apontou que existem 232,2 mil empregos ocupados por portadores de necessidades especiais no mercado formal. Verificando-se isoladamente esse número tem-se a falsa impressão de que é positivo.

No entanto, ele representa somente 1% do total de empregos, cujo montante atingiu 39,4 milhões em 2008. Em um país com aproximadamente 25 milhões de pessoas com deficiência o dado é ainda mais alarmante.

Á nesse particular, que a Educação a Distância (EAD) pode entrar como uma atenuadora das dificuldades de acesso ao ensino e, consequentemente ao trabalho, para esta parcela da população. A EAD permite, de forma eficaz, estruturar cursos específicos para cada tipo de deficiência, viabilizando um eficaz aprendizado dos estudantes.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a deficiência que mais atinge os brasileiros é a visual, atingindo 11,8 milhões de pessoas. Em seguida vem a motora, totalizando 5,6 milhões, e a auditiva, com cerca de 4 milhões de pessoas. Finalmente a mental, com 2 milhões de portadores e a física, com aproximadamente 1 milhão.

Sendo assim, não se pode pensar em educação inclusiva única. Para que o ensino seja assimilado por todos se impõem programas específicos para cada tipo de limitação.

E a EAD atende a tal propósito. Já existem tais programas implantados, em exitosas experiências, primeiramente no Paraná e ora em expansão para todo o Brasil.

Assim, além de proporcionar o crescimento pessoal e profissional dessas pessoas, bem como o acesso ao ensino, consegue-se também atender exigências legais impostas às empresas com mais de 100 funcionários, no cumprimento de cotas que estabelecem a contratação de pessoas com deficiência.

Mais uma vez a EAD contribui para o desenvolvimento do país e não há como negar isso. Por meio dela, é possível tratar os deficientes distintamente para que possam ter igualdade de oportunidades no exercício da cidadania.

Se a importância de ações mais eficientes em prol da inclusão dessas pessoas está na pauta das principais discussões, a Educação a Distância já começou a trabalhar para transformar palavras em realidade.

Carlos Alberto Chiarelli, além de ex-ministro da Educação, é doutor em direito e presidente da Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância (Aced).