Copa, Olimpíada e infraestrutura

Luiz Nelson Porto Araújo, Jornal do Brasil

RIO - Em maio de 2009, a Fifa anunciou que Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador foram escolhidas para sediar a Copa do Mundo de 2014. Receber um evento desse porte significa hospedar 32 equipes e suas comitivas durante um mês e criar estrutura para a realização de 64 partidas, que serão transmitidas para todo o mundo, no maior evento midiático do planeta (estima-se que, durante a Copa de 2014, cerca de 3 bilhões de telespectadores assistirão às transmissões). Meses depois, a cidade do Rio de Janeiro foi eleita para receber os Jogos Olímpicos em 2016.

A infraestrutura e a segurança constituem elementos essenciais ao sucesso desses dois eventos. Para entendermos se, de fato, o Brasil dará conta do desafio, é necessário avaliar fatores como a nossa estrutura urbana.

Estudos preliminares mostram que a Copa demandará investimentos superiores a US$ 5 bilhões. Os valores para a Olimpíada são inferiores e devem ser reduzidos por aqueles que serão gastos em 2014 mas também são relevantes. Os maiores gastos com infraestrutura nas cidades onde acontecerão os jogos compreendem reforma e construção de estádios/vilas olímpicas, obras em rodovias, aeroportos, hospitais e sistemas de telecomunicações.

A realização da Copa e da Olimpíada é uma grande oportunidade para antecipar e adensar os investimentos necessários para superar as carências crônicas das cidades-sede, com efeitos multiplicadores sobre toda a economia. Para que os investimentos sejam, de fato, estruturantes, é fundamental não repetir os problemas observados na época do Pan 2007, no Rio de Janeiro, quando os orçamentos iniciais foram superados pelos custos reais, a ajuda emergencial do Estado tornou-se imprescindível para a conclusão das obras e não houve melhorias efetivas na infraestrutura do entorno dos estádios e das cidades.

Mais ainda: o Brasil não pode perder a oportunidade de se valer desses dois eventos para alavancar a sua projeção no cenário mundial, para melhorar as condições de acessibilidade e mobilidade urbanas e para expandir as condições de acesso a serviços de saneamento, energia, transporte e telecomunicações.

Luiz Nelson Porto Araújo é consultor da BDO e autor do estudo 'A infraestrutura brasileira desafios e oportunidades'.