Brasília, capital do mundo. Rio, capital do Brasil

João Pessoa de Albuquerque, Jornal do Brasil

RIO - Brasília tem tudo para ser a sede da ONU. Senão vejamos: ela fica em um país neutro, hospitaleiro, sem arsenais atômicos, lindo, diversificado, carismático, amplo, democrático e miscigenado como miscigenada é a própria composição demográfica do universo congregado pela Organização das Nações Unidas.

E mais: é completa a sua infraestrutura residencial para acolher os representantes dos quase 200 países que integram a ONU. Moradias há de sobra: de bons apartamentos funcionais a belas mansões à beira de lagos.

Tem um complexo imobiliário-funcional que, hoje, abrigando o Congresso Nacional e os Ministérios, amanhã poderia _ e muito bem _ acolher tudo o que, atualmente, New York sedia. Prédios com gabinetes e plenários que nada devem aos sediados em Manhattan.

E mais ainda: Brasília é uma cidade tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Qual a capital nacional que possui esse "status" cultural? Creio que poucas ou, talvez, nenhuma. Até esse raro e honroso título dar-lhe-ia uma dimensão universal que, simbolicamente, bem justificaria essa mudança.

Tem uma excelente Universidade, mão de obra qualificada, um IDH e um PIB "per capita" dos mais altos do Brasil e, estando em um país tropical, não sofre os efeitos de uma sauna como é New York no verão e nem nos faz tiritar de frio como nos faz a congelada big apple no seu rigoroso inverno.

Situa-se no hemisfério sul, o que, pelo menos politicamente, significaria um maior equilíbrio em relação ao "todo poderoso hemisfério norte".

É difícil realizar esse sonho? Não!

E´dificílimo!

Mas, como dizia Mao Tsé Tung, toda marcha começa pelo primeiro passo , além do que mais vale pecar pela ação do que pela omissão.

Tentar, sempre! Desistir, nunca!

Pacientemente, iniciaríamos uma perseverante catequese buscando apoios nacionais, regionais e continentais. Mobilizaríamos todos os meios de comunicação existentes: dos tradicionais aos virtuais, dos artigos escritos às falas radiofônicas, das visitas protocolares aos íntimos "boca a boca" e não esmorecendo, jamais, na cooptação incessante, nos cinco continentes, de todos os agentes institucionais de reconhecido efeito multiplicador.

Não se fez isso para sediar-se a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que são eventos sazonais? E por que, então, não fazê-lo para sediarmos a ONU, organismo indispensável e permanente?

Assim, unidos, planejados, municiados e organizados, mostraríamos ao mundo _ não mais a bossa nova que, musicalmente, já mostramos e encantamos _ mas sim, estratégica e inteligentemente, esta nossa decantada e irresistível bossa da conquista ... (Que desafio tentador, meu Deus do céu! Que tentação dos diabos, oh pátria amada)!

E algum efeito colateral haveria?

Elementar, meu caro Watson ; o Rio de Janeiro, de novo, a capital federal!

O Rio voltando a ser o centro político do país em contraponto à paulicéia desvairada , reduzindo-se, assim, o desequilíbrio frente a São Paulo, inegável e insuperável centro econômico deste nosso desigual Brasil.

Teríamos, então, como salutar conseqüência: o cifrão privado lá e o poder público aqui.

Finalmente, outro efeito tão ansiado por todos nós: os parlamentares passariam, provavelmente, a pecar muito menos e a trabalhar muito mais, como ocorria até 21 de abril de 1960...

O maior prestígio internacional do Brasil e o merecido resgate da cidade maravilhosa _ eis um promissor binômio de futuro a vista, mas que, reconheço, só se conquista a prazo... e a longo prazo.

Loucura?

Ora, Rachel de Queiroz, sabiamente, já dizia: triste do mundo se não fossem os loucos ...

João Pessoa de Albuquerque é presidente do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), membro do Conselho Estadual de Educação e da Academia Internacional de Educação, diretor da Associação Brasileira de Educação, ex-presidente do Conselho Empresarial de Educação e ex-presidente da UNE.