Eleições 2010 bola cantada?

Thomas Korontai, Jornal do Brasil

RIO - Impossível não acompanhar o crescimento das campanhas pela Presidência da República, mesmo com os candidatos ainda não confirmados oficialmente pelos seus respectivos partidos. É fato normal em democracias. Mas a maneira como isso vem ocorrendo é, para nós, bastante preocupante.

É normal que um governante e seu partido queiram fazer seu sucessor. Mas o uso da máquina pública para essa pretensão é imoral sob todos os aspectos, algo que o princípio da possibilidade da alternância no poder jamais resolverá sob o manto da democracia. Faz parte. Contudo, é certo que o instituto da democracia abre a possibilidade de o povo dizer não para as pretensões de continuidade. Ônus e bônus do processo democrático o que exige atenção do eleitor.

O que nos preocupa é o conjunto de fatos que formam uma previsão aterradora para a ainda frágil democracia brasileira. Preste atenção, caro leitor, no anúncio do TSE, na convocação dos novos eleitores, jovens entre 16 e 18 anos, bem como da regularização do título de eleitor levada ao ar na mídia eletrônica: a maior eleição de todos os tempos , eleição histórica soa estranho. Muito estranho. Some-se isso às pesquisas que quase nunca batem, pelo menos nos últimos anos, com as intenções e/ou opiniões das pessoas, basta verificar in loco, ou seja, perguntar às pessoas que cruzam em nossas vidas no dia a dia.

Nessa receita, junte a dependência da maior parte da mídia, dependente financeira do Poder Executivo. Nem é preciso comentar muito sobre isso, todos têm uma opinião razoavelmente coincidente. O ingrediente final: urnas eletrônicas.

Está mais do que provado que as urnas eletrônicas não são seguras. Apenas usadas no Brasil e Venezuela e com cada vez mais raridade em países que as testaram, incluindo alguns estados americanos, o aparato, vendido internamente como o suprassumo da democracia e da modernidade, pode ser manipulado. O único fato que pode vencer essa receita forçada por um conjunto de interesses políticos e ideológicos, internos e até externos (Foro de São Paulo incluído), é uma massa muito maior de votos em um candidato diferente do candidato oficial. Com a opinião pública superando a opinião publicada, em larga margem, não haverá, em tese, coragem para se manipular os resultados.

Se as eleições forem assim tão fantásticas quanto estão sendo anunciadas pelo TSE, é porque o eleitor brasileiro poderá e deverá participar de maneira muito consciente sobre o que está em jogo. Muito mais do que a alternância do poder, está em jogo o futuro da própria democracia.

Thomas Korontai é presidente nacional do Partido Federalista (em formação www.federalista.org.br).