Autoridades negam violar leis com exploração de petróleo

São Paulo, 1 de março de 2010 - Argentina e Inglaterra se veem, mais uma vez, em meio a uma crise sobre o controle do arquipélago das Malvinas. O estopim foi o anúncio de que a empresa britânica Desire Petroleum começaria a explorar as Malvinas à procura de óleo. O anúncio irritou a América Latina e, apesar de não repercutir muito em Londres, ressuscita tensões.

Há três décadas as tropas argentinas se renderem a forcas britânicas. Era o fim da Guerra das Malvinas, arquipélago a 480 quilômetros da costa portenha, cuja soberania britânica, apesar do resultado do combate, ainda é contestada.

As Malvinas (Falklands, para os ingleses) estão sob controle da Grã-Bretanha desde 1833, e todos os seus moradores têm passaporte britânico. Mas a Argentina diz que a decisão do Reino Unido de autorizar a exploração de petróleo nas águas em disputada é ilegal, ferindo a resolução 3.149 da Assembleia Geral da ONU. Com esse argumento, o governo argentino lançou um decreto exigindo que todo e qualquer navio que transite sobre nas Malvinas receba uma autorização prévia das autoridades portuárias de Buenos Aires. Foi o suficiente para uma reação do Parlamento Britânico.

O Ministro da Defesa britânico, Bill Rammell, diz que Londres tem o "direito legítimo" de construir uma indústria petrolífera no arquipélago. Similarmente, em entrevista ao canal de TV Sky News, o secretário de Estado do Reino Unido para a América Latina, Chris Bryant, deixou clara a questão da soberania britânica sobre a Ilha.

"Estamos certos que as Falklands são britânicas. Os moradores da ilha querem pertencer ao Reino Unido. Apoiamos essa decisão".

O Ministro do Exterior, David Miliband, faz coro ao dizer que a exploração de óleo nas Malvinas é legitima e "de acordo com leis internacionais". O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, assina em baixo. "Fizemos todas as preparações necessárias para garantir que as Falklands estejam adequadamente protegidas".

A posição do Reino Unido recebe apoio total dos moradores das Malvinas. A Assembleia Legislativa local, que vendeu a licença de exploração de óleo à empresa britânica, afirma que o arquipélago tem "todo o direito" de desenvolver "negócios legítimos" em hidrocarbonetos.

(Redação - JB OnLine)