Só falta vontade

Antônio Eulálio Pedrosa , Jornal do Brasil

RIO - Em uma metrópole como o Rio de Janeiro, com grandes avenidas e intensa circulação de veículos, as passarelas são soluções desenvolvidas a fim de preservar a vida dos pedestres. Claro que nem sempre eles lançam mão do benefício e arriscam-se desviando-se afoitamente dos carros. Mas o assunto aqui é o precário estado de conservação dessas pequenas pontes urbanas. O problema resume-se a uma única questão: vontade política.

Não se trata de simples implicância contra os sucessivos governos da cidade do Rio. É importante ressaltar que a equipe de engenheiros e técnicos da prefeitura é boa, extremamente qualificada. Então, se há profissionais, diagnósticos e soluções para os problemas, o que falta para as passarelas da cidade serem recuperadas? Dinheiro. E, para que a verba saia dos cofres municipais, é preciso contar com a tal vontade política. Mas como manutenção de passarela não rende festa de inauguração, resta aos pedestres da cidade, moradores e turistas se arriscarem entre as pistas ou sobre elas. Difícil escolha.

É senso comum na engenharia que qualquer estrutura precisa de reparos técnicos após cinco anos de existência. Esse deveria ser o intervalo para que fossem realizadas as manutenções preventivas. Sem elas, como acontece, as passarelas envelhecem e demandam um custo ainda maior para ficarem em pé.

Em diversos lugares no Rio, as passarelas são compostas apenas de estruturas metálicas, as mais suscetíveis à corrosão, já que a chuva é ácida. As revestidas por concreto apresentam maior resistência, mas ainda sofrem com a ação da natureza. Não é difícil encontrar por aí a exposição de aços que integram as estruturas.

O estado em que todas se encontram é lamentável, preocupa. Requer ações imediatas.

Antônio Eulálio Pedrosa é engenheiro de estruturas e conselheiro do Crea-RJ.