Cargos públicos: por um lugar ao sol

Fábio Gonçalves, JB Online

RIO - Emprego público deixou de ser sinônimo de trabalho burocrático, chato, para se tornar o sonho de milhões de brasileiros. Hoje, é garantia de estabilidade financeira, com projeção para um futuro tranquilo, e certeza de ganhos bastante razoáveis no fim do mês cada vez mais cobiçados, do Oiapoque ao Chuí. Portanto, com a proximidade do fim de 2009, é possível fazer um balanço extremamente positivo em relação ao quantitativo de vagas oferecidas nos últimos anos com real possibilidade de manutenção da renovação dos quadros em 2010.

Logo no início de 2009, os efeitos negativos da crise financeira internacional no Brasil, como o fechamento de postos de trabalho na iniciativa privada, provocaram uma corrida às salas de aula por conta dos concursos públicos, na época em andamento, ou ainda por conta do receio de que não se repetisse o bom desempenho do ano anterior, com vasta oferta de vagas na administração pública.

Lembro que na época chegou-se a cogitar o cancelamento de concursos públicos como forma de contenção dos gastos públicos, o que acabou não se confirmando. E nem há como, já que o país tem hoje, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 7 milhões de servidores públicos, dos quais entre 3% e 5% se aposentam anualmente, gerando uma média de 300 mil vagas novas por ano a serem repostas. Somadas a estas, há a necessidade de suprimento de vagas necessárias ao crescimento de instituições como a Petrobras e Banco do Brasil, por exemplo.

No entanto, não é só em tempos de crise que ser servidor público é muito bom, porque tem estabilidade e emprego garantido. Houve, certamente, em dado momento, um certo estímulo provocado pela crise financeira internacional, que empurrou o trabalhador da iniciativa privada a se preparar para um concurso e ter um emprego garantido e com um bom salário.

Os salários no serviço público, em geral, para quem tem nível médio ou superior são bem acima do que se paga por aí, por melhor que seja a empresa. Foram autorizadas centenas de vagas para preenchimento de candidatos com nível superior em qualquer área de formação com salários superiores a R$10 mil, como foi o caso de auditor fiscal da Receita Federal, ou ainda para fiscal do ICMS do Estado do Rio de Janeiro, analista do Banco Central e Polícia Federal. Nível médio oferece hoje algo em torno de R$2.500. Em uma breve análise e comparação, dificilmente (mesmo!) você encontrará um profissional com nível médio e tamanho vencimento no final do mês.

Emprego público também é sinônimo de condições semelhantes de disputa, a maior expressão de democracia do acesso à empregabilidade. Os candidatos elevam a auto-estima e se privam de constrangimentos que ferem a dignidade humana, seja limite de idade, boa aparência, preconceito racial ou social. Nos processos de seleção, os candidatos são igualmente capazes e iguais, conforme reza a Constituição do País.

Todos estão ali competindo em condições idênticas. É importante ressaltar que é possível o acúmulo de cargo público com outra atividade remunerada. Um arquiteto, por exemplo, pode ingressar no cargo de auditor fiscal, ter uma remuneração garantida e estável superior a R$ 10 mil e continuar com seu atelier.

O ano de 2009 chega ao fim e a expectativa por 2010 já toma conta de todos, com previsão de mais concursos públicos. Mas esse é um assunto para um próximo bate-papo.

Fábio Gonçalves

Presidente da Academia Brasileira de Educação, Cultura e Empregabilidade (Abece)