Apagão: análises e aprendizados

Caio Rocha, Jornal do Brasil

RIO - Falhas em linhas de transmissão, fenômenos meteorológicos ou falta de investimentos em infraestrutura? As justificativas para o apagão energético que atingiu a maior parte do país no último dia 10 já são bem conhecidas pela população. O que resta fazer, contudo, é transformar essa discussão em ação concreta. Ou seja: superar o debate retórico, muitas vezes meramente político, e partir para medidas capazes de garantir que um blecaute das mesmas proporções jamais ocorra novamente.

E isso se faz investindo maciçamente em todo o setor elétrico nacional, embarcando as áreas de geração, distribuição e transmissão de energia. O incidente do apagão nos relembrou a importância estratégica desse segmento. Com 18 estados e 88 milhões de brasileiros às escuras, a economia de boa parte do país parou por horas. Indústrias, estabelecimentos comerciais, serviços e inclusive as famílias todos são dependentes de um sistema de eletricidade seguro, estável e sólido.

Um bom exemplo a ser seguido é o dos Estados Unidos, país semelhante ao nosso em se tratando de vastidão territorial e disposição populacional. Ao contrário do Brasil, os americanos têm um sistema descentralizado de geração e transmissão, com pequenos e médios geradores capazes de assumir sozinhos os abastecimentos de determinadas regiões, evitando assim um blecaute.

Para chegarmos a isso, é imperativa a diversificação de nossas matrizes energéticas. Atualmente, somos abastecidos basicamente por grandes projetos nacionais, o que acaba aumentando a tensão das linhas de transmissão. A resolução dessa questão passa, portanto, pelo fomento regional à produção de energia eólica, solar, carbonífera ou de biomassa. São alternativas que não apenas evitarão novos apagões generalizados, mas também fará frente a problemas naturais de nosso tempo, como o aquecimento global.

O Rio Grande do Sul é um expoente de tal movimento. Nosso Parque Eólico de Osório é a maior usina desse tipo em toda a América Latina. Além de novas fontes, também temos investido pesado na renovação das tradicionais como nos projetos de ampliação de usinas hidrelétricas e subestações, e manutenção de redes de distribuição, capitaneados pela CEEE. Agora, o fundamental é fazer com que o modelo de gestão energética de nosso Estado seja estendido e levado a todo o Brasil. Essa expertise gaúcha, que melhora os serviços prestados à população, é um paradigma sobre os rumos que o país deve seguir.

Caio Rocha é diretor financeiro e de relações com o mercado da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).