Perspectiva da guerra

André Luís Woloszyn, Jornal do Brasil

RIO - Apesar de um período de relativa calma em relação à ocorrência de atentados em países da União Europeia, a guerra contra o terrorismo internacional continua sendo travada. Nos últimos 15 dias, dois atentados abalaram a credibilidade dos EUA e seus aliados na luta contra o terror. No primeiro, um dos piores atentados ocorridos em Bagdá, reivindicado pela Al Qaeda, duas explosões de carros-bomba resultaram na morte de 155 pessoas. No segundo, atribuído ao grupo Talibã, no Paquistão, outro carro-bomba matou 110.

O ódio e a disputa entre facções extremistas ameaça levar o Iraque e o Paquistão a uma guerra civil sem precedentes. E o pior: é evidente o elevado grau de aperfeiçoamento destes grupos em técnicas de infiltração, já que a explosão em Bagdá ocorreu em uma das áreas consideradas de segurança máxima.

Da mesma forma, a grande ofensiva paquistanesa em operações aéreas e terrestres, com 30 mil militares contra cerca de 10 mil talibãs nas zonas tribais do Waziristão do Sul (considerado reduto talibã), promete outros desdobramentos, pois ao contrário do que acreditam muitos especialistas, o grupo terrorista se fortalece com o apoio de parte da população civil, que sofre com sucessivos ataques e interrogatórios cruéis por parte das forças de segurança. Outro fator deste fortalecimento é o aprimoramento de técnicas e táticas de guerrilha importadas do Iraque pelos anos de combates contra as tropas da coalização, e a obtenção de armas sofisticadas traficadas das próprias zonas de combate, propiciando um poder de fogo que vitimou 2.300 pessoas em dois anos no Paquistão.

A tendência é de um conflito prolongado, mesmo com o apoio norte-americano, compromisso assumido durante a campanha de Barack Obama, que, aliás, não consegue convencer seus aliados exceto a Inglaterra a apoiar a guerra no Afeganistão com efetivos militares. Analistas do Pentágono questionam se o conflito pode ser vencido no estágio atual. Não descartam também uma retirada gradual num momento em que as baixas de militares dos EUA aumentam, enquanto a opinião pública norte-americana começa a demonstrar indícios de insatisfação com a política de Obama nesta questão.

Por outro lado, os grupos terroristas se diversificaram e ressurgem com relativa força no Iraque e na India, com novos métodos, como a utilização de mulheres e crianças-bomba.

Embora não declarem abertamente, a maior preocupação das autoridades envolvidas na luta contra o terrorismo é com relação a armas nucleares que tanto a Índia como o Paquistão possuem e a possibilidade, não tão remota, de que alguns destes artefatos caírem nas mãos de terroristas. Por enquanto, as perspectivas da guerra nestas novas frentes não são promissoras.

André Luís Woloszyn é diplomado pela Escola Superior de Guerra e especialista em terrorismo formado nos Estados Unidos.