Cidadãos têm que confiar mais na polícia

Noaldo Alves Silva , Jornal do Brasil

RIO - Li atentamente as palavras do Secretário José Mariano Beltrame em relação aos últimos acontecimentos provocados pelos bandidos narcotraficantes no Rio e entendi como um desabafo de um homem desesperado com o que aconteceu com seus comandados, numa refrega desigual, mas que as forças de segurança saíram plenamente vitoriosas.

A polícia do Rio é a mais preparada do país para este tipo de ação, por sua experiência e pelo pleno exercício da função diária. O policial quando erra é impiedosamente recriminado, punido, ou condenado. Pelo erro do policial não há clemência. A sociedade deseja um policial super treinado, sem defeito, que não tem o direito de errar, não podendo atuar contra os bandidos, e quando o faz, não pode haver morte de criminosos, nem tão pouco de inocentes.

Não adiantam declarações demagógicas de autoridades federais, oferecendo a Força Nacional, o que é inconstitucional, sem contar que ela é inexperiente em ações do tipo das realizadas no Rio e que vêm apenas para bloqueio de entrada nas favelas. Não adianta o governo só oferecer helicóptero blindado, porque a vida do policial é muito mais preciosa e de difícil preparo, pois ele vem da mesma sociedade que os demais habitantes.

O governador Sérgio Cabral tem sido firme na execução da Política de Segurança Pública, para assegurar, aos cariocas, melhor qualidade de vida, já que dispõem de uma cidade maravilhosa, de relíquias entre as sete maravilhas do mundo e da praia de Copacabana, que é a mais famosa e desejada por brasileiros e estrangeiros. O secretário Beltrame é um delegado da Polícia Federal, competente, afeito à área de inteligência e determinado no combate ao crime, seja ele organizado ou desorganizado.

Já devem estar se perguntando por que tanto apoio? Porque já fui da área de inteligência, comandei PM e fui secretário de segurança em dois estados e criticado por medidas duras e por falta de compreensão da sociedade. Uma delas, quando desejei desafogar as prisões e colocar os presos em prisões mais baratas e seguras, criando prisões em contêiner, em projetos que poderiam ser em navios ou em áreas protegidas, por um terço do preço de uma prisão de segurança.

Foi um dilúvio e os projetos não saíram, mas outros estados adotaram com sucesso e outros países adotam e aperfeiçoam esses tipos de prisão, com os presos trabalhando para pagar o seu sustento na cadeia. Estou fazendo estes comentários para contribuir com sugestões práticas, para que o governo do estado e também o prefeito Eduardo Paes, possam dar um toque de ordem no Rio e melhorar a qualidade de vida de sua sofrida população.

A sociedade deve mudar a sua ótica em relação aos policiais, apoiando as suas ações, pois as forças policiais, além de pertencerem ao mesmo tecido social, são constituídas por seres humanos, homens e mulheres de bem, treinados, preparados e submetidos aos maiores sacrifícios, com risco de vida, embora sejam falíveis.

Outras medidas imprescindíveis são o combate implacável às organizações criminosas e aos bandidos de ocasião e aos delinqüentes primários; o combate intransigente à corrupção, seja ela praticada por pessoas comuns, policiais ou delinquentes ou políticos.

É importante, finalmente, a colaboração da mídia que deve divulgar os fatos, atos e ações, de forma equilibrada, sem distorções e sem condenar previamente qualquer dos envolvidos na questão ou ação, muito menos, enaltecer as ações dos bandidos e criticar a polícia. Vejam alguns exemplos.

Naquela ocorrência do ônibus 147, no Jardim Botânico, em que um bandido fez vários reféns, e matou a moça, toda sociedade ficou pensando que quem a matou foi o policial e não o bandido. Todos participantes da operação, inclusive o comandante, tiveram as suas armas apreendidas e foram submetidos a julgamento, como responsáveis pela morte da refém. Fiz um artigo defendendo-os e, felizmente, todos foram absolvidos, inclusive os que estavam prendendo o bandido drogado, na viatura. Recentemente numa reportagem ainda ouvi do repórter que a moça foi morta por um tiro do policial. A mídia que condenou não corrigiu o erro.

Neste episódio do Morro dos Macacos, foram mortos três rapazes pelos bandidos. Um oficial da PM deu uma declaração que os mortos eram bandidos. Toda a sociedade se revoltou com o erro e a PM, em nota, pediu desculpas, mas a mídia, em nenhum momento, culpou os bandidos. A família, lógico, se revoltou, mas ninguém condenou os bandidos, apenas um tio fez uma leve crítica.

A mídia tem um papel importante em informar tudo à sociedade, é seu dever, mas, quando tende em benefício de um dos atores, certamente causa dano à outra parte, o que impõe, por dever, a correção. Quando não o faz ou enaltece os feitos dos criminosos, está prestando um desserviço à sociedade. Logo a mídia tem tanta responsabilidade quanto as autoridades, pois ela tem o argumento e a força de convencimento. Peço aos profissionais da imprensa que meditem nesta observação e ajudem as autoridades governamentais, e aos policiais, para preparar a cidade para as Olimpíadas de 2016.

Noaldo Alves Silva é coronel do Exército.