BNDES deve emprestar até R$ 130 bilhões no ano, diz Coutinho

SÃO PAULO, 22 de outubro de 2009 - Os desembolsos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2009 superaram a marca de R$ 100 bilhões até a segunda semana de outubro, informou o presidente da instituição, Luciano Coutinho, nesta quinta-feira. A previsão do executivo é que as liberações este ano podem crescer mais de 40% ante 2008.

"Vamos fechar o ano com desembolsos de até R$130 bilhões", disse ele a jornalistas. No ano passado, os desembolsos somaram R$ 92 bilhões.

Segundo ele, a marca é histórica para o banco. "Outubro vem se mostrando um mês forte. Analisando mais na ponta, já estamos com R$ 103 bilhões a R$ 104 bilhões de desembolsos," afirmou.

No período analisado, a indústria recebeu R$ 50 bilhões e o segmento de infraestrutura, R$ 33 bilhões. Coutinho disse que o banco já trabalha para fechar o orçamento do ano que vem, mas cobrou uma maior participação dos bancos privados e do mercado de capitais.

" Não faltarão recursos da nossa parte, mas não vejo uma expansão muito forte do crédito privado, que no Brasil tem dificuldade para financiar no longo prazo", criticou o presidente do BNDES.

Segundo ele, os resultados do banco no terceiro trimestre e no mês de outubro apontam para uma retomada da economia e dos investimentos que foram "ao fundo do poço" a partir do agravamento da crise internacional.

"Foi um trimestre positivo e consolida a retomada de investimentos e o efeito das medidas tomadas em junho pelo governo para enfrentar a crise", disse Coutinho, ao se referir ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

O programa aumentou a oferta de crédito e de capital de giro no mercado via BNDES e os juros foram reduzidos para 4,5% ao ano. O programa termina no fim de dezembro e, segundo Coutinho, não será prorrogado porque tem "um custo fiscal para o governo".

"O Ministério da Fazenda está fazendo um esforço para recuperar o superávit primário em 2010 e aí você tem que reduzir esses incentivos", explicou. A linha Finame, para financiamento de máquinas e equipamentos, foi um dos termômetros da recuperação dos investimentos, de acordo com Coutinho.

Em 12 meses até julho, os pedidos de financiamento nesta linha somavam R$ 60,5 bilhões, mas na primeira quinzena de outubro subiram para R$ 109,5 bilhões, também considerado o intervalo de 12 meses.

"Esse é um sinal de que as decisões de investimentos estão sendo retomadas. Trabalhamos para ter o investimento puxando o crescimento. Há sinais preliminares e promissores de que teremos um crescimento saudável", disse o executivo, que espera que em meados de 2010 a taxa de investimento seja superior à taxa de crescimento da economia.

Coutinho afirmou ainda esperar que, com a retomada dos investimentos, o crescimento da economia supere 5% em 2010.

(Redação - JBOnline)