Por outros tipos de piso

Agostinho Guerreiro, Jornal do Brasil

RIO - A pedra portuguesa veio de Portugal para o Brasil junto com os mestres calceteiros. Eles detinham a técnica para instalá-las corretamente. Eles, em vários momentos, vieram ao Brasil para treinar brasileiros na arte de lidar com este tipo de material. O baixo salário pago a este profissional, no entanto, fez com que muitos desistissem do ofício. Hoje em dia, os que restam, estão ligados às empresas que vendem as pedras portuguesas.

Muitos criticam a durabilidade das calçadas de pedras portuguesas. Mas se o calçamento foi feito de acordo com a técnica correta, e a manutenção preventiva é realizada no tempo certo, o piso permanecerá sem falhas. Um exemplo disso é o calçadão da orla de Copacabana.

Infelizmente, em muitas das vezes, o trabalho de instalação não é bem feito e a manutenção preventiva é esquecida ou precária. Soma-se a isso, concessionárias como a Cedae e a Light abrem buracos para realizar os seus consertos, passar tubos e fiações, e não os reparam corretamente. Por isso, para não sermos totalmente radicais, acho que a pedra portuguesa pode e deve ser preservada em locais turísticos. Mas acho que podemos substituí-la em outros em que este material não está dando bom resultado. Sugiro que a prefeitura faça um zoneamento em que aponte onde a pedra portuguesa deve ser mantida e onde pode dar lugar a outro tipo de calçamento. Como no Centro Histórico do Rio, por exemplo, onde o uso da pedra tem a ver com a arquitetura.

Nos lugares onde a pedra portuguesa puder ser substituída, a prefeitura, de acordo com sua análise, indicaria um outro tipo de piso, adequado àquele local. Pode ser trocada por pedras maiores, naturais ou fabricadas. A pedra portuguesa é muito pequena, necessita de uma base muito bem feita para não se soltar, para ter um plano que lhe dê equilíbrio. No Recife fizeram uma mudança no calçamento da praia. Retiraram uma parte das pedras portuguesas e instalaram um outro tipo de pedra trabalhada. Há vários tipos de combinação, depende do custo que se pode ter. Em último caso, podem ser usadas pedra de material resistente, como pequenas lajes de concreto.

Agostinho Guerreiro é presidente do Crea.