Mais economia de mercado

Rússia Hoje, JB Online

REDAÇÃO - A Rússia planeja fazer privatizações em larga escala de ativos estatais. No orçamento atualizado de 2010 foi introduzido o valor das receitas a serem obtidas com a privatização de patrimônio estatal. E ainda em 2009 o estado calcula receber com as vendas desse patrimônio 12 bilhões de rublos (US$ 0,4 bilhão).

A ideia das atuais privatizações do patrimônio estatal pertence ao primeiro-vice-primeiro-ministro, Igor Shuválov, que lidera o grupo de trabalho que propôs colocar em leilão ações de 5,5 mil companhias estatais. Segundo ele, as privatizações começarão este ano com a venda de 20% das ações da Sovkomflot, maior companhia de navegação da Rússia. Além disso, segundo o vice-premier, as privatizações podem se estender à petrolífera Rosneft.

Depois o estado pretende vender parte do pacote de ações da Rosgosstrakh, maior companhia de seguros russa, bem como da Rosagroleasing, empresa responsável pela aquisição de equipamentos agrícolas.

Segundo a ministra do Desenvolvimento Econômico, Elvira Nabiullina, em 2010 serão colocados à venda 450 pacotes de ações, dos quais o estado é titular de 20% a 25%. Basicamente, serão vendidos portos fluviais, marítimos e aeroportos.

Maiores empresas não serão vendidas

As ações de outras companhias de transporte e de infraestrutura que precisam de investimentos serão leiloadas na segunda metade de 2010. Neste processo entrarão licenças para jazidas de hidrocarbonetos e de metais preciosos. Entretanto, como ressaltou Nabiullina, na lista das privatizações de 2010 não serão incluídas grandes empresas estatais como Aeroflot, Sberbank Rosneft, RJD e Gazpromneft. Estas companhias o estado venderá somente sob uma conjuntura de mercado favorável , afirmou a titular do Ministério do Desenvolvimento Econômico.

A ideia das privatizações foi apoiada pelo ministro das Finanças, Aleksei Kúdrin, que salientou que a alimentação do orçamento com receitas de privatizações ajudará a manter as despesas sociais e os programas contracíclicos. Em conversa com investidores estrangeiros, na semana retrasada, Kúdrin destacou que metade da economia da Rússia é controlada pelo estado ou é parte do patrimônio estatal. No mesmo encontro, Kúdrin ampliou a lista de Shuválov , anunciando que as privatizações podem se estender também ao Vneshtorgbank (VTB).

Triste experiência do passado

Como resultado das medidas anticíclicas, a participação do estado na economia russa no verão deste ano alcançou o patamar entre 45% e 50%, o que os analistas consideram inadmissível para países de economia de mercado. Entretanto, esta cifra provoca nos russos uma associação menos negativa do que a palavra privatização .

No início da década de 1990 foram feitas privatizações na Rússia. Na oportunidade cada russo recebeu "vouchers" que davam direito a propriedade nos ativos estatais da desmoronada União Soviética. Muitos venderam os seus "vouchers" por uma pechincha, e em decorrência disso a maior parte da sociedade caiu na indigência. Por conta disso, formou-se um segmento de pessoas extremamente ricas (ou de oligarcas, como os chamam na Rússia), que acumularam do nada um patrimônio multibiliardário.

Sedativo do primeiro-ministro

O premier russo, Vladimir Putin, ao abrir a reunião sobre as principais diretrizes das privatizações do patrimônio federal em 2010-2012, fez a advertência: O estado não vai vender o seu patrimônio por uma pechincha. As privatizações não podem, sob nenhuma hipótese, ser gratuitas ou um favor . E acrescentou: se o patrimônio federal deve ser vendido, o será a preços de mercado . As receitas das privatizações "cairão" como finanças suplementares no orçamento federal. E em 2010 nada será fácil, por conta do déficit. O produto das vendas deverá chegar a 70 bilhões de rublos (cerca US$ 2,4 bilhões), segundo a ministra do Desenvolvimento Econômico.