Faltam soldados

Paulo Giffoni, Jornal do Brasil

RIO - Os jornais estampam nas suas edições desta quarta-feira que uma cabine da PM foi assaltada em plena Zona Sul, mais precisamente em Botafogo, durante a madrugada, com os marginais levando a pistola do policial militar. Mas não tocaram no cerne da questão: o principal problema não é só de Botafogo e, sim, toda área abrangida pelo 2°Batalhão de Polícia Militar, na Rua São Clemente, que cobre uma região de oito bairros. Com um efetivo reduzido, voltado para interesses políticos e econômicos, o policiamento da região tem sido usado como tapa-buraco por conta da falta de soldados e da crise por que passa a instituição, principalmente nos dias em que há jogos no Maracanã ou quando há as operações da Secretaria de Ordem Pública, que de choque não têm mais nada.

Os policiais deixaram de ser policiais há muito tempo e passaram a ser vítimas de uma instituição falida e fora do foco para o qual foi criada a prevenção. O policial jamais poderia estar ali sozinho. Estava fazendo o quê? A menor força de combate é aquela formada por dois homens, pelo menos! Assim é ensinado na academia de policia: um único policial sequer pode abordar marginais! Quantos policiais sozinhos mais estão por ai? E fazendo o quê?! Todos nós nos tornamos vitimas de uma política viciada e falida, que persiste em sobreviver, trazendo drama para a população carioca, cansada da onda de violência que não cessa.

Descobriremos outros tantos policiais solitários que circulam por aí, contratados para defender a sociedade, mas que nada podem fazer, pois estão engessados pelo Estado. É necessário que a sociedade passe a discutir e cobrar uma política única de segurança pública a nível nacional, a fim de atender aos anseios de todos e à padronização das instituições policiais em todo o território brasileiro.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, no ano passado, uma emenda constitucional que destina mais recursos federais para os estados e municípios a serem aplicados na área de segurança pública. Esperamos que o texto saia logo do papel e que os recursos cheguem à sociedade na forma de benefícios.

Paulo Giffoni é presidente da associação de moradores do Humaitá.