Um gesto que ajuda (muito) a reduzir a mortalidade

Danielle Aparecida da Silva, Jornal do Brasil

RIO - O primeiro banco de leite humano do Brasil foi implantado em outubro de 1943, no Instituto Nacional de Puericultura, atualmente Instituto Fernandes Figueira (IFF), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tendo como objetivo principal coletar e distribuir leite humano com vistas a atender os casos considerados especiais, a exemplo de recém nascidos prematuros, com perturbações nutricionais e alergias às proteínas heterólogas.

Mas foi somente na década de 80 que os bancos de leite humano deixaram de se caracterizar como centros para coleta e distribuição de leite materno e passaram a ser caracterizados como centros especializados, responsáveis pela promoção e o incentivo ao aleitamento materno, o que consiste em atender às clientes com dificuldades em amamentar; orientar pessoalmente ou por telefone clientes com dúvidas sobre o assunto; elaborar rotinas e linhas de conduta em aleitamento materno; assim como também são responsáveis pela execução de atividades de coleta, processamento e controle de qualidade de colostro, leite de transição e leite humano maduro, para posterior distribuição, sob prescrição de médico ou nutricionista, sendo este obrigatoriamente vinculado a um hospital materno e/ou infantil.

Os bancos de leite e postos de coleta brasileiros trabalham em prol da diminuição da desnutrição e da morbidade/mortalidade infantil, através de ações que estimulem o aleitamento materno e a utilização de leite humano pasteurizado para aqueles bebês impossibilitados de se alimentar direto ao seio materno; favorecendo o cumprimento das metas para o desenvolvimento do Milênio, em especial a Meta 4 reduzir em 2/3 a mortalidade infantil em crianças menores de 05 anos entre 1990 e 2015.

Evidências científicas demonstram que o recém-nascido prematuro e/ou doente tem mais chances de recuperação e, consequentemente, de uma vida mais saudável se durante o período de privação da amamentação puder receber exclusivamente o leite humano ordenhado. Isso se deve à sua composição que comprovadamente contém mais de 250 constituintes, entre eles nutrientes específicos e fatores de proteção.

* Danielle Aparecida da Silva é engenheira de alimentos do Instituto Fernandes Figueira.