Por que Bagdá ainda precisa de Washington

Greg Bruno *, Jornal do Brasil

RIO - O governo Obama não escondeu o desejo de rebaixar a posição do Iraque na lista de prioridades, deixando-o atrás do Afeganistão, do Irã, e de questões domésticas. A última reunião de Obama em Washington com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, ocorrendo em meio a uma grande pressão por reformas na saúde, não mostrou grandes mudanças na intenção da política americana em retirar as forças de combate do teatro que já dura seis anos.

O presidente americano, falando brevemente com repórteres no dia 22 de julho depois de uma reunião de uma hora com o primeiro-ministro do Iraque, pediu reconciliação entre as facções iraquianas e reiterou o compromisso de retirar totalmente os últimos dos 130 mil soldados americanos até o fim de 2011.

Estamos no meio de uma transição completa para responsabilidade iraquiana frisou o presidente Barack Obama.

O Iraque, contudo, ainda continua muito dependente do apoio americano. Autoridades militares americanas dizem que Bagdá não tem habilidade para transformar as informações reunidas no campo de batalha em ferramenta de inteligência, medida fundamental para ficar um passo à frente de uma insurgência ainda fatal.

Dan Senor, ex-consultor de coalizão no Iraque, diz que o governo Obama também é necessário para mediação não-militar, particularmente na resolução das tensões entre curdos e árabes por petróleo, e controle político. Um teste da estabilidade curda ocorre com a votação recente em membros do Parlamento regional curdo. Obama ofereceu apoio americano para retirar do Iraque as sanções da ONU, em vigor desde a Guerra do Golfo de 1991.

Maliki enfrenta uma situação delicada nas relações com os EUA se ele for visto como muito próximo de Washington, poderia perder apoio internamente, mas ele não pode se distanciar completamente dos americanos.

O Iraque continua a enfrentar alguns desafios econômicos e de segurança e tememos que alguns problemas atuais se transformem em crises disse o ministro de Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, ao jornal Asharq Alawsat antes da viagem, explicando por que Bagdá ainda precisa de Washington.

Para Stephen Biddle, do Council on Foreign Relations, a melhor forma de evitar a crise deve ser adiar a retirada dos militares dos EUA. Mas, por enquanto, o governo Obama parece não ter interesse em prolongar a atividade militar.

* Analista político.

Este artigo foi publicado originalmente no site do Council on Foreign Relations