O ato secreto que pode mudar o país é seu voto

André Luiz Esteves *, Jornal do Brasil

RIO - O ambiente político atual, com esta sucessão de denúncias sobre a malversação dos recursos públicos, gera um grande corporativismo que engessa a produção de ações prioritárias para a melhoria do funcionamento da administração pública.

Por consequência, temos o aumento do endividamento dos entes públicos; a ausência de reformas estruturais fundamentais para o reaparelhamento da gestão do Estado e a instabilidade de geração de novos postos formais de trabalho. Devemos perder a esperança? Penso que não. Precisamos ficar atentos e votar melhor.

A crise política expõe as mazelas históricas decorrentes de alianças espúrias refletidas no loteamento dos cargos públicos comissionados e de confiança, que deveriam ser entregues com critérios técnicos a servidores competentes. Não por nepotismo, reto ou cruzado, ou apadrinhamento político.

O atraso e a burocracia são as palavras de ordem. Perpetuam a inércia e alimentam a cultura do fisiologismo. A tão esperada reforma política, aprovada recentemente em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, não apresenta propostas de solução para os problemas atuais. Não passa de mais um factoide.

Periodicamente somos bombardeados com informações, que chegam de todas as fontes, sobre o aumento da carga tributária, da ineficiência da prestação dos serviços essenciais de saúde e educação, da queda de postos de trabalho em regime formal, de escândalos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos agravados pelo crescimento, em progressão geométrica, da corrupção, que virou endêmica. Não são mais atos secretos.

Os gastos correntes do governo são altos demais e as despesas ineficientes. Precisamos gastar menos e melhor. Parece óbvio, mas não é. Principalmente com a antecipação da campanha para 2010, por parte do governo, e seus reflexos em aportes financeiros, em obras eleitoreiras, para marcar presença junto à opinião pública.

Esta insegurança institucional, aliada à falta de credibilidade nos agentes políticos, contamina o ambiente interno e provoca reflexos no cenário internacional, dificultando alianças estratégicas para o desenvolvimento da integração regional. Cabe à administração pública, em todas as esferas de poder, chamar para si a responsabilidade de nos reconduzir, com eficiência e eficácia, com ética e transparência, a uma nova era de prosperidade e justiça social.

Cabe a cada um dos eleitores abrir bem o olho a partir de agora. Prestar atenção nos políticos que resolvem trabalhar apenas no último ano de mandato já é um grande passo para um voto consciente e sensato.

* André Luiz Esteves é advogado e professor universitário