Alargar as ruas ajudaria

Agostinho Guerreiro *, JB Online

RIO - Como algumas de nossas favelas, a Rocinha fica em uma área valorizada, próxima ao local de trabalho dos seus moradores. Outra característica dessas comunidades é a topografia, que se inicia na planície e sobe em direção ao alto do morro. Para o máximo aproveitamento do solo desses lugares, as moradias foram construídas coladas umas nas outras, com ruas muito estreitas passando entre elas.

A profusão de ruelas na Rocinha traz como consequência pouco espaço, pouca ventilação e pouca iluminação natural. Esse conjunto de fatores deixa seus moradores vulneráveis a vários tipos de doença; desde gripe a tuberculose, enfermidade que aflige o lugar.

A forma como se desenvolveu a urbanização da Rocinha também também está ligada a um problema crônico de nossas favelas, que é a questão da violência. Sua configuração de ruas facilita o esconderijo do bandido, bem como a sua fuga.

Para que houvesse mais aeração e mais incidência de iluminação natural na Rocinha (dois dos principais problemas apontados pelos moradores), as ruelas que cortam a comunidade precisariam ser alargadas. Como consequência, algumas famílias teriam que ser reassentadas em outro lugar.

A principal solução é esta: uma reurbanização corajosa, que significa abrir ruas largas, permitindo acabar com os problemas de que os moradores se queixam. Mas também em conseqüência vai facilitar o acesso de serviços do estado.

Reassentamento não significa remover o morador para fora ou para longe da Rocinha. De acordo com essa pesquisa, o número de casas é muito maior que o de apartamentos. Uma solução possível seria a construção de casas com dois pavimentos para abrigar as famílias removidas.

Há experiência de alguns lugares, com a mesma matriz da Rocinha. Em vez de alargarem muitas ruas, construíram duas grandes avenidas paralelas e uma transversal a elas. O remanejamento é bem menor, mas não vai resolver 100% dos problemas. No entanto, o acesso à comunidade vai melhorar muito.

* Agostinho Guerreiro é presidente do Crea