O futuro chegou

Jorge Picciani *, Jornal do Brasil

RIO - Estamos vivendo uma nova realidade econômica, social e política em nosso estado que nos exige tirar os olhos do passado e lançar nosso foco no futuro. Há alguns anos, quando se falava sobre o estado do Rio de Janeiro, o sentimento predominante era o de que a nós, ex-capital do país, restava o desafio de lidar com os problemas da fusão e encontrar nossas vocações. Girávamos em círculos e nos faltava fôlego para concretizar os projetos considerados fundamentais para integrar o estado e semear este novo momento. Além, é claro, de investimentos para lançar bases sólidas e gerar novas oportunidades.

Receitas mirabolantes foram sucessivamente lançadas e tidas temporariamente como a grande solução para muitos problemas, mas nenhuma delas saía do papel, alimentando a desesperança e o sentimento de nostalgia pelo que pensamos ser um dia. Parecíamos fadados ao passado, apesar de concentrarmos a inteligência temos no Rio o maior número de centros de pesquisa e universidades do país a beleza e a modernidade. Somos cosmopolitas e nem o estado de decadência que assistíamos em nosso estado poderia nos tirar a capacidade de lançar moda e tendência não só para o Brasil, como também para o mundo.

Exemplos claros deste imobilismo, projetos que pareciam ficção como o Arco Metropolitano, a revitalização do Porto do Rio e a expansão do metrô, hoje estão saindo do papel e nos mostram que, de fato, só são possíveis porque há sintonia, integração e sinergia entre a iniciativa privada e os governos federal, estadual e municipal. E, mais do que isso, porque fazem parte de uma ação integrada que tem buscado garantir aos empresários um ambiente seguro para investir e à população as condições básicas para que ela possa se integrar a este novo momento preparada para as oportunidades que estão se abrindo. O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), as obras de saneamento que estão sendo feitas em todo o estado e a integração entre tecnologia e educação fazem parte deste processo.

Saindo do papel, todos estes projetos viabilizam novos negócios, desobstruem vias, criam novas centralidades. Somam-se a eles, outras grandes obras como o Porto do Açu, em São João da Barra; o Complexo Petroquímico, em Itaboraí; a Companhia Siderúrgica do Atlântico, dentre outros, trazendo consigo o desafio permanente de nos anteciparmos aos problemas, termos agilidade para tomar as decisões certas e diminuirmos os impactos ambientais e sociais no nosso estado.

É impossível não ser otimista. Mas pela primeira vez, em muitos anos, estamos sendo chamados a definir também onde queremos chegar. Por isso a necessidade de planejar. Exigir das prefeituras planos diretores, ampliar e aprofundar as parcerias com a sociedade e as universidades, ter uma máquina administrativa ágil e competente, lutar por uma educação que possa preparar nossos jovens, enfim: agir. Tudo isso integra esta nova realidade que está se construindo e que já é parte do presente. E que traz para o nosso dia-a-dia a prosperidade e a qualidade de vida que antes eram apenas promessas de futuro.

* Jorge Picciani é presidente

da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de janeiro (Alerj)