Relações internacionais, comércio e futuro

José Luiz Niemeyer *, Jornal do Brasil

RIO - Com o final da Guerra Fria, a agenda internacional se tornou mais competitiva e inclusiva. Novos atores e temas e, principalmente, os assuntos referentes a comércio, protecionismo e desenvolvimento sustentável ganharam destaque.

A potência vencedora , os Estados Unidos, muito a partir do governo Clinton, assinalou que a interdependência global seria algo atingível no médio prazo. Um mundo marcado pela cooperação, menor protecionismo e universalização de princípios e regras de convivência mútua.

A primeira Guerra do Golfo, as questões étnico-religiosas e civilizacionais e a reconstrução geopolítica da região dos Bálcãs trouxeram certa dose de pessimismo às relações internacionais.

A nova postura da administração George W. Bush, principalmente pós-11 de Setembro, recrudesceu este olhar mais realista do contexto mundial atual.

OMC em xeque

Hoje, em plena Era Obama, o sistema internacional pressupõe dois tipos de forças aglutinadoras. As que buscam uma integração em escala global vide papel e objetivo real da Organização Mundial do Comércio (OMC) e aquelas que, mais pragmáticas, acreditam em um mundo dividido em blocos, em relações específicas e com questões singulares a serem administradas.

As muitas conferências da OMC demonstraram que o cenário que se projeta é aquele de um processo de integração maior e não completo.

Não foram até agora dimensionados os custos e os benefícios de uma integração aberta, tanto no que tange o comércio e protecionismo como naquilo referente a desenvolvimento sustentável, combate às desigualdades, resolução de conflitos etc.

Na verdade, o que sempre se viu nas Rodadas da Organização Mundial de Comércio são impasses e celeumas estabelecidas entre países. Raramente são alcançados resultados em prol de cooperação sistêmica.

Numa visão histórica de todo este processo é evidente que avanços ocorreram.

Hierarquia

Todavia, as relações internacionais continuam a estabelecer, precisamente, sua própria hierarquização de forças, como em um movimento auto induzido.

Percebe-se um esforço maior para a discussão de temas sensíveis, todavia particularizados, estritamente relacionados às posições relativas de poder no sistema.

Neste contexto é possível que prevaleça, ainda por ora, um integracionismo regional fechado em contrapartida a um integracionismo multilateral aberto ; principalmente nas questões de comércio e protecionismo.

Este processo irá indicar o rumo das relações entre os atores estatais e não estatais nos próximos anos e, por conseguinte, determinará a eficiência no tratamento de outros assuntos da agenda de negociação internacional.

* Economista