Mudando paradigmas da política brasileira

Marisa Serrano* , Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A formação do Bloco Democrático Reformista (BDR), formalizando a união pluripartidária entre PSDB, DEM e PPS, cujo lançamento oficial ocorreu na última segunda-feira em Campo Grande, Capital de Mato Grosso do Sul foi um acontecimento inédito na política brasileira. O evento teve as presenças das lideranças dos três partidos, Sérgio Guerra, Rodrigo Maia e Roberto Freire. Nossos objetivos são claros: fortalecer programas de Governo, consolidar estratégia eleitoral e definir rumos para o futuro, rompendo com um modelo de definir alianças partidárias somente em período eleitorais, apenas com propósitos pontuais, tais como aumentar o tempo no horário eleitoral gratuito ou ainda fortalecer chapas em disputas proporcionais e majoritárias nos Estados e Municípios.

Neste aspecto, é importante enfatizar que a criação do Bloco carrega em si uma postura inédita na história recente da política brasileira, exatamente porque conceitua que projetos e reformas são mais importantes, neste momento, do que nomes eventuais que possam vir a disputar as eleições de 2010. A postura do PSDB, DEM e PPS estabelece, assim, um paradigma diferente no atual cenário porque busca despersonalizar o jogo sucessório e reforçar a ideia de que o momento é de conceber propostas concretas que transforme as estruturas do País para as próximas décadas.

A idéia reformista visa a superação do atraso mantido pelo Governo Lula na medida em que não se tocou nem de leve nas questões atinentes à superação das desigualdades sociais, do clientelismo e do fisiologismo, fortalecendo inclusive alguns dos vícios mais condenados da política brasileira: aparelhamento do Estado, banalização da corrupção e aceitação passiva de políticas que desmerecem o mérito e aceitam a queda dos padrões morais dos gestores públicos e privados. Infelizmente, o atual Governo deixará como legado a herança (maldita?) do eu não sabia e do todo mundo faz .

Estamos vivendo os primeiros ensaios do processo sucessório de 2010. Contudo, há algum tempo o Governo Lula vem adiantando o calendário eleitoral impondo a candidatura da ministra Dilma Rouseff. O movimento das oposições segue linha contrária: estamos preocupados em formular uma agenda estruturante de Governo, unindo forças que representam a diversidade dos espectros ideológicos da política brasileira, sem ficar amarrado a rótulos ou chavões panfletários.

O Bloco Democrático Reformista (BDR) vai, neste sentido, transformar a política brasileira. O seu lançamento em Mato Grosso do Sul representou o marco inaugural de um processo que será efetivado em outros Estados brasileiros. A partir de agora a aliança entre PSDB, DEM e PPS será levada também a outras regiões. É importante ressaltar que o Bloco não é exclusivista. Estamos abertos a outros partidos que queiram agregar e contribuir para a formulação de um projeto de governo tanto em nível local quanto nacional.

O Mato Grosso do Sul foi o primeiro Estado onde oficializamos o bloco partidário. Nosso ato político, em Campo Grande, apenas consolidou nossos objetivos: estamos unidos para oferecer uma nova proposta de atuação de Governo, criando oportunidades para dar um salto qualitativo no processo de desenvolvimento brasileiro.

A era da informação e da evolução tecnológica trouxe mudanças rápidas nos costumes da sociedade. Temos que, dessa maneira, revitalizar o fazer político com base naquilo que nos oferece as novas tecnologias e as novas mentalidades. Temos que ultrapassar as velhas ideologias e os seus chavões. As palavras de ordem do passado não representam mais nada. Temos que nos inserir em outra ordem, num novo mundo, priorizando a educação, a saúde, o meio ambiente, a segurança pública, a diversidade cultural para a superação dos modelos que estão mais e mais atrasando as concepções necessárias de políticas públicas e de comportamento ético na política.

*Senadora do PSDB: Marisa Serrano é vice-presidente do Diretório Nacional do PSDB e senadora pelo Mato Grosso do Sul