Bons resultados, mas muito a fazer

Antonio Egidio Nardi *, Jornal do Brasil

RIO - O comportamento sexual é muito variável entre culturas, faixas etárias e níveis de informação. É influenciado por fatores biológicos, culturais e psicológicos. Participam, ainda, a percepção individual da própria sexualidade e experiências com o sexo ao longo de toda a vida. A definição exata do que é sexualidade normal é difícil. Em termos práticos, é aquela que traz prazer às pessoas envolvidas, sem prejudicar ou molestar uma delas. É mais fácil definir sexualidade anormal, que é o comportamento sexual destrutivo para o próprio indivíduo ou para outros, ou está associado à sensação de ansiedade, medo ou culpa. E atualmente, associada a riscos evidentes de contágios com doenças graves. Apesar de todas as possibilidades de informação, os dados das pesquisas sobre comportamento sexual, práticas e hábitos relacionados à sexualidade podem não traduzir a total realidade dos fatos devido à dificuldade que os indivíduos têm de descrever a própria sexualidade em questionários ou avaliações.

O resultado principal da pesquisa do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do Ministério da Saúde refere-se ao sexo seguro. Em relação a isso, alguns resultados são animadores e outros nos alertam que campanhas de informação e outras ações institucionais associadas à educação em saúde em sexo seguro ainda são necessárias. Entre os aspectos mais relevantes está a utilização pela camada mais jovem de preservativos em relações sexuais os jovens entre 15 a 24 anos de idade utilizam mais o preservativo em todas as situações. Isso demonstra que a informação tem chegado a essa camada tão exposta aos riscos de contágio. Essa faixa etária apresentou o maior número de parceiros casuais, 14,6% dos jovens tiveram mais de cinco parcerias eventuais no último ano. O maior uso de preservativo pode ser um reflexo das campanhas dirigidas ao público jovem, que já nasceu na era da Aids e da maior possibilidade de informação, seja por campanhas direcionadas nas escolas, como nos meios de comunicação. Mas se invertermos a descrição dos resultados, 32% desses jovens não utilizam o preservativo em relações casuais. Na mesma situação, os maiores de 50 anos ficam próximos aos 62% que se expõem aos riscos. Esses dados são alarmantes e preocupantes, porque demonstram que ainda há uma grande parte da população em risco.

Além da informação por campanhas e instituições, é importante estimular o diálogo franco entre os parceiros. O fato de ser adulto não indica que as pessoas estão em condições de viver o sexo sem responsabilidade.

* Antonio Egidio Nardi é professor

da Universidade Federal do Rio

de Janeiro (UFRJ)