Dólar inverte rumo e fecha em leve baixa

SÃO PAULO, 17 de junho de 2009 - Após operar em alta por praticamente todo o dia e atingir a máxima de R$ 1,998 no intraday, o dólar perdeu forças e encerrou o pregão em leve baixa de 0,20%, cotado a R$ 1,963 na venda. Os detalhes sobre o plano de reforma do sistema financeiro dos Estados Unidos contribuiu com a inversão de tendência.

O presidente dos EUA, Barack Obama, definiu o plano como uma transformação em uma escala que não era vista desde as reformas que se seguiram à Grande Depressão. O projeto concede ao Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano) o poder de fiscalizar todo o sistema financeiro e pede ao Congresso que autorize o governo a desmantelar grandes companhias que enfrentam dificuldades financeiras, evitando assim que estas possam contagiar o mercado como um todo. O plano de regulação prevê ainda a criação de uma agência federal de proteção dos consumidores.

Ainda sobre o sistema bancário, o gigante JP Morgan anunciou que reembolsará ao governo norte-americano os US$ 25 bilhões de capital recebido no âmbito do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). Esta se caracteriza a maior soma do total de US$ 68 bilhões que o Estado espera receber das instituições financeiras ajudadas.

Outros dois grandes bancos dos EUA pagam empréstimos tomados do governo nesta quarta-feira. O U.S. Bancorp pagou US$ 6,6 bilhões e o BB&T outros US$ 3,1 bilhões. Na semana passada, o Tesouro dos EUA informou que os bancos que quitarem os empréstimos poderão também comprar de volta suas garantias, que deram ao governo o direito de comprar ações ordinárias por até 10 anos a um preço pré-determinado.

Do lado negativo, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s rebaixou o rating e as perspectivas de 22 bancos dos EUA, justificando que a ação reflete a visão de que as condições operacionais para a indústria se tornarão menos favoráveis do que foram no passado, caracterizadas por uma maior volatilidade nos mercados financeiros durante os ciclos de crédito e pela supervisão regulatória mais dura.

Entre outras notícias, foi divulgado que a inflação medida pelo CPI (Índice de Preços ao Consumidor) foi de 0,1% em maio, após período de estabilização em abril. Já o déficit em conta corrente caiu para US$ 101,5 bilhões no primeiro trimestre. Para a corretora NGO, os recentes dados de inflação dos EUA devem retardar as discussões sobre uma eventual elevação da taxa de juro norte-americana no curto prazo. "Até porque, os dados da atividade industrial e sua capacidade ociosa já eram motivos para desconsiderar-se esta probabilidade", observa.

(Simone e Silva Bernardino - IN)