Ponto Frio: uma opção estratégica

Ruy Quintans * , Jornal do Brasil

RIO - Do ponto de vista estratégico, o Pão de Açúcar teria algumas razões para concretizar esta compra do Ponto Frio: a alta competitividade na área de supermercados, onde as inovações não são frequentes e as vantagens competitivas ficam mais ou menos do jeito que estão. Dificilmente alguém vai ganhar uma participação de mercado muito maior, e os movimentos estratégicos são facilmente limitados: se o Pão de Açúcar abrir uma loja nova, o Carrefour abre outra.

Então, deve ser uma estratégia para diversificar os negócios, uma vez que existe alguma possibilidade de algum tipo de sinergia entre as duas redes: o Pão de Açúcar já opera nos segmentos de linha branca geladeiras, freezers, máquinas de lavar e de linha marrom equipamentos de áudio e TV , que já são os focos do Ponto Frio. Como o Pão de Açúcar já apresenta alguma expertise, a operação seria uma forma não só de diversificar o negócio numa atividade correlata, como também de estender para o Ponto Frio uma filosofia empresarial que já faz parte do escopo do Pão de Açúcar.

Seria uma extensão da loja de eletrodomésticos do supermercado. E isto dentro de um quadro em que o Brasil é mercado potencialmente muito interessante para a comercialização desse tipo de bem, porque existem classes sociais mais baixas, que anseiam por isso, se houver meios de financiamento. É um mercado que hoje é suprido, basicamente, pelas compras nos próprios supermercados e nas Casas Bahia e Ricardo Eletro, que são os grandes players concorrentes. Então, comprando uma rede que já existe e é tradicional, em vez de fazer uma marca nova, já se parte de uma certa vantagem competitiva. Com isso, aumenta o poder de barganha junto aos fornecedores, porque já é um grande comprador. É uma oportunidade e uma opção estratégica bastante interessante, que deve movimentar os mercados de alguma forma dentro de alguns anos. E melhorar a competitividade, também do ponto de vista do consumidor.

* Ruy Quintans é economista do Ibmec