Grandes derrotas nos últimos anos mostram que o Fla está sem liderança

Julio Calmon, Jornal do Brasil

RIO - No dia em que anunciou que fará o segundo Jogo da Paz a pedido do governo brasileiro, contra o Corinthians, na Palestina, no fim do ano, o Flamengo ainda tentava esquecer a inacreditável derrota por 4 a 2 para o Sport. Depois de estar vencendo por 2 a 0, o time comandado pelo técnico Cuca conseguiu tomar quatro gols em oito minutos apenas dobrando o número de gols sofridos no Campeonato Brasileiro. Pior, a equipe acabou a rodada na longínqua 11ª posição na tabela, a seis pontos do líder Internacional. Poderia ter ficado em terceiro se o jogo tivesse terminado aos 23 minutos do primeiro tempo, quando o Flamengo ainda vencia a partida.

Momentos assim, de apagão total, o torcedor do Flamengo não esquece também até porque o time tem colecionado alguns. Só no ano passado, a eliminação da Taça Libertadores para o América, do México, e a derrota no Brasileiro para o Atlético Mineiro, ambas por 3 a 0 e no Maracanã, já seriam exemplos bons para ilustrar. No entanto, o empate em 3 a 3 para o Goiás na penúltima rodada do Brasileiro também não pode ser esquecida. Vencendo por 3 a 0, o time da Gávea parou de jogar e deixou os goianos empatarem. No fim do campeonato, faltou um ponto para o Flamengo conseguir a classificação para a Taça Libertadores da América.

Em todas as ocasiões, um ponto em comum: a ausência do então capitão Fábio Luciano. Há quem diga que faltou um líder dentro de campo para acalmar o time na Ilha do Retiro, em Recife.

Isso é uma coisa que só quem está dentro de campo pode saber. Talvez um jogador com mais bagagem pudesse tentar colocar o time de volta no jogo depois que saiu o segundo gol do Sport opinou o comentarista e ex-jogador Júnior, capitão no último título brasileiro do Flamengo. Depois da saída de Fábio Luciano, falta um jogador com esse perfil para comandar o time.

O presidente em exercício Delair Dumbrosck prefere não meter o dedo na ferida.

Não tem nada disso. É coisa do futebol. Acontece esquivou-se Delair, que anunciou o jogo da paz ao lado do vice-presidente de marketing do Corinthians, Luís Paulo Rosemberg, da chefe do departamento de Esportes do Ministério de Relações Exteriores, Vera Cintia, e de Márcio Braga, que cedeu sua residência para a reunião nesta segunda.

Museu de presente

A segunda edição do Jogo da Paz (a primeira aconteceu em 2004, entre Brasil e Haiti) será um amistoso e provavelmente acontecerá no fim do ano. A federação de futebol da Palestina apoia a iniciativa e já se disponibilizou a providenciar estádio, transporte e hospedagem. O Ministério de Relações Exteriores entrará em contato com a embaixada brasileira e a Autoridade Nacional Palestina para acertar a data.

Márcio Braga disse ter consultado o presidente da CBF Ricardo Teixeira, que ficou animado com a partida. Por isso, acredita que não haverá problema para ajeitar uma data no calendário. O dirigente já pensa em convocar grandes nomes do futebol brasileiro.

Acho que deveríamos levar Pelé, Zico e Rivelino. Esses sim são os verdadeiros embaixadores do futebol brasileiro disse o presidente rubro-negro.

Ontem, Delair Dumbrosck ainda disse que visitará o Museu do Futebol, no Pacaembu, em São Paulo, para iniciar a construção do museu do Flamengo, na Gávea, que será bancado pela nova fornecedora de material esportivo, a Olympikus. O dirigente planeja abrir o museu rubro-negro no dia 15 de novembro, data em que o clube completa 114 anos.