Dólar sobe pelo 2º dia, mas se mantém abaixo de R$ 2

SÃO PAULO, 8 de junho de 2009 - O dólar subiu com força nesta segunda-feira, pela segunda sessão consecutiva, mas ainda se manteve abaixo do patamar de R$ 2. No fim do dia, a moeda norte-americana subiu 0,31%, para R$ 1,962 na compra e R$ 1,964 na venda.

O cenário externo desfavorável e as commodities em baixa deram o tom aos mercados. O analista da corretora Socopa, Paulo Fujisaki, avalia que a possível mudança na postura do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) na condução da política monetária explica o movimento dos mercados nos últimos dois dias. "A alta dos yields dos Treasuries norte-americanos e a diminuição dos cortes de empregos nos EUA na sexta-feira alimentam os rumores de que o Fed poderá elevar os juros antes do que o imaginado", frisa. Esta perspectiva tem fortalecido o dólar, principalmente frente ao euro e a libra, com reflexos por aqui.

Segundo Fujisaki, não há no curto prazo sinais de riscos de pressões inflacionárias na economia norte-americana que explique estas apostas. Entretanto, os players incorporam um prêmio de risco adicional à expectativa de aperto monetário, principalmente porque tal ajuste não reflete a melhora nas perspectivas para a economia real, mas sim o crescente déficit público norte-americano, que irá requerer taxas cada vez mais altas para atrair recursos para financiamento.

O analista pondera, entretanto, que os movimentos recentes não é uma reversão do otimismo para o estresse, mas um processo natural de reavaliação. "A tendência no curto prazo é de um real fortalecido, por conta do panorama atraente às aplicações no Brasil. Mas a sinalização do Fed, e a provável redução de diferencial entre as taxas de juros daqui e dos EUA geram certa cautela", finaliza.

Aqui, o pregão contou com a versão atualizada do boletim Focus, que trouxe estimativas menos pessimistas para a economia brasileira. Após quatro semanas de cortes, o mercado aumentou suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, indicando contração de 0,71%. Nas contas externas, o saldo comercial apresentou superávit de US$ 1,208 bilhão na primeira semana de junho, elevando o acumulado no ano para US$ 10,580 bilhões.

(Simone e Silva Bernardino - IN)