O risco do inverno

Alex Botsaris *, Jornal do Brasil

RIO - A gripe suína continua a se espalhar pelo mundo e a tendência é dobrar o número de casos notificados a cada 14 dias. Mais de 90% dos casos computados pela Organização Mundial da Saúde são de pacientes de países ricos, que possuem sistemas de saúde bem organizados, assim como boa capacidade de diagnosticar a doença. Não temos idéia de como esse vírus pode estar se comportando em países pobres, no Hemisfério Sul, onde não há uma boa infraestrutura de saúde e o inverno se aproxima.

No Brasil, temos a impressão de que a doença esteja controlada, com apenas parcos dez casos confirmados até o momento. Todo epidemiologista sabe que há sub-notificação, ou seja, que por mais eficiente que seja a vigilância sanitária, uma parte dos casos não é diagnosticada e se espalha ao largo das ações de prevenção.

Quando se trata de influenza, que é uma doença extremamente contagiosa, os epidemiologistas sabem que é impossível contê-la. Juntamos a isso a proximidade continental do Brasil ao México e Estados Unidos e mais o vasto fluxo de pessoas travado com estes dois países. A possibilidade de que a doença esteja se disseminando, mas não tenha chegado ao Brasil é quase nula.

O fato mais relevante é que o Brasil, assim como a maioria dos países da América Latina, está situado no Hemisfério Sul, onde o inverno está chegando. No inverno, as condições de proliferação do vírus influenza aumentam muito e ele se dissemina com muito mais eficiência e velocidade. Eu considero que é certo apresentarmos uma epidemia desse vírus nos meses de julho e agosto. Cabe discutir qual vai ser a gravidade e a extensão dessa epidemia.

Porém, alguns dados são animadores, pois esse vírus não é tão letal como se supôs a princípio. Entretanto, ele é bastante devastador e capaz de causar uma doença mais severa e mortal que a gripe comum.

* infectologista