Ameaça nuclear

Richard Bennett *, Jornal do Brasil

LONDRES - A resistência de Pyongyang à pressão internacional para pôr fim ao programa de armas nucleares não é apenas uma ameaça à segurança do norte da Ásia e aos interesses dos EUA em geral. Mais do que isso, é um risco de proliferação nuclear ao mundo. Se levada adiante, a atitude da Coreia do Norte pode ter consequências catastróficas.

O país comunista já forneceu grande parte da tecnologia para o programa de mísseis balísticos do Irã e de fato há relatos de forte cooperação em seu desenvolvimento nuclear. Não é impossível que o gatilho para uma futura arma iraniana de destruição em massa tenha sido testado pelos aliados coreanos no recente teste nuclear.

Apesar de haver poucos detalhes técnicos divulgados por Barack Obama ou a Defesa dos EUA, é certo que muito já se sabe sobre o design das armas e sua eficácia militar. Em 14 dias do teste de 2006, os EUA haviam detectado, coletado e analisado o suficiente de gases radioativos que tinham escapado da explosão para identificar a capacidade do dispositivo.

Igualmente fundamental é a escala temporal em que a Coreia do Norte pode miniaturizar a bomba para encaixar na ponta do míssil. O teste nuclear veio logo depois de a Coreia do Norte demonstrar em abril sua capacidade inquestionável de montar uma força estratégica lançando míssil de longa distância.

Isso deve ter deixado a Coreia do Norte mais perto de ter um sistema nuclear capaz de atingir a Costa Oeste dos EUA e, não menos impactante, a maior parte da Ásia.

A aquisição pelo Irã da tecnologia de míssil de longo alcance e a busca contínua por armas nucleares iriam, sem dúvida, mudar o equilíbrio estratégico do Oriente Médio e até permitir que Teerã ameace grande parte da Europa.

Pyongyang argumenta que a segurança de longo prazo e a sobrevivência do país dependem do fato de ele se tornar potência nuclear. Outros veem na retórica uma forma de mascarar futura agressão militar contra a Coreia do Sul.

Não seria muito inteligente por parte do governo Obama e das Nações Unidas ignorarem o potencial da Coreia do Norte de se tornar um vasto supermercado de mísseis estratégicos e armas nucleares, oferecendo tecnologia militar avançada em troca de dinheiro, comércio e, por fim, a oportunidade de burlar as sanções comandadas pelos EUA que estão enfraquecendo o país e ameaçando a sobrevivência do atual regime.

Parece certo de que não apenas Teerã será observada pelo Ocidente, em particular os EUA. A tensão causada pelo teste da Coreia do Norte é prova disso.

* analista do AFI Research, Reino Unido