Um pequeno passo na estrada da informação

Editorial, Jornal do Brasil

RIO - O Brasil atingiu este mês a impressionante marca de 60 milhões de computadores em uso, tanto no mercado corporativo quanto no doméstico. Significa dizer que, seja em casa ou no trabalho, um em cada três brasileiros tem acesso a um computador. O peso desse dado, colhido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), fica ligeiramente mais leve quando se leva em consideração outro estudo, divulgado em março pelo Fórum Econômico Mundial, que classificava o Brasil em 59º lugar no ranking anual que mede a disponibilidade e o uso de tecnologias de informação e comunicação (como o acesso a telefones celulares e serviços de internet). Ao que parece, o brasileiro tem cada vez mais acesso às máquinas, mas ainda está longe do mundo virtual proporcionado pela grande rede seja pelo preço cobrado pela operação, pela baixa qualidade da telecomunicação oferecida ou pela total indisponibilidade do serviço em muitas regiões.

De acordo com a 20ª Pesquisa Anual da FGV, realizada pelo Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), a base ativa instalada no país era de 50 milhões de computadores no ano passado. A previsão é de que o número de terminais em uso no país deve chegar a 100 milhões ao longo de 2012, o que representará média de um computador para cada dois habitantes estatística comparável à de países desenvolvidos.

O estudo, realizado com 5 mil empresas de grande e médio porte, mostra ainda que as companhias brasileiras gastam cerca de 6% da receita líquida com Tecnologia da Informação (TI), o dobro em relação há 12 anos. E mesmo em face à crise econômica mundial, não há sinais de que o setor de TI vá encolher, de acordo com os responsáveis pela compilação dos dados da pesquisa. No varejo, aliás, percebe-se que o setor de eletroeletrônicos das grandes lojas é forte puxador de vendas, mesmo entre as classes menos favorecidas. Confirma-se, portanto, a tendência de que cada vez mais brasileiros manuseiem computadores de mesa, notebooks e palmtops.

Daí a importância de uma soma maior de investimentos públicos e privados num setor crucial para a competitividade e o progresso no século 21: a infraestrutura em telecomunicações. Nesse ponto, o Brasil aparece estagnado há dois anos na 59ª posição, numa lista de 134 nações avaliadas pelo Fórum Econômico Mundial. O relatório, divulgado há dois meses, ressalta que a internet de alta velocidade deve ser vista como parte da infraestrutura e economia dos países. As comunicações móveis desempenham um importante papel em economias em desenvolvimento, facilitando de maneira importante o crescimento e o desenvolvimento econômico , sugere o estudo, patrocinado pela empresa californiana Cisco Systems.

Outrora um luxo, o computador em casa, o telefone celular e o e-mail acessível a todos os cidadãos tornaram-se uma necessidade do mundo moderno sem os quais as sociedades não evoluem, as economias não giram, os países não crescem. Assim, a falta de investimentos em infraestrutura de telecomunicações trava o pleno desenvolvimento de uma nação. Caso o Brasil queira colocar-se entre as grandes potências, deve, necessariamente, trilhar a estrada da informação com segurança e velocidade.