Obama, Bric, a diversidade étnica e o Brasil

Ivanir dos Santos *, Jornal do Brasil

RIO - Desde que os negros se levantaram para lutar por direitos civis nos EUA, na década de 1940, a grande conquista dos afroamericanos foi a implantação das ações afirmativas, entre elas as cotas raciais nas universidades e escolas.

A sociedade americana entendeu, há mais de meio século, que não era possível garantir espaços e igualdade para uma população historicamente tratada de forma desigual. A implementação desta política afirmativa para negros nos EUA levou algum tempo, mas floresceu. Barack Hussein Obama e Michelle Obama são o resultado concreto da luta por direitos civis liderada por Martin Luther King, Malcom X e Rosa Parker, numa sociedade em que os negros são menos de 14% da população.

No Brasil, por sua vez, o número de descendentes de negros e indígenas é cerca de 48% da população, segundo o IBGE.

Como um dos países que pode mudar a realidade mundial até 2050, o Brasil precisa avançar em direção à diversidade e à pluralidade. Os países emergentes que formam o Bric Brasil, Rússia, Índia e China apostam nas cotas para populações excluídas.

O governo indiano enviou ao Parlamento projeto de lei que dobra as vagas para minorias por cotas nas universidades federais, reservando quase metade a classes tradicionalmente desfavorecidas .

A Rússia garante na Academia Médica Seshenov, em Moscou, vagas apenas para alunos brasileiros.

A China, mesmo com 99% de suas universidades sendo pagas, aprovou neste ano a gratuidade para filhos dos camponeses.

Das tentativas de reparação aos descendentes de escravos propostas na 1ª Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, promovida em 2001 pela ONU na África do Sul, promulgou-se o Tratado de Durban, de que o Brasil foi relator e que assegurou a implementação de ações afirmativas para negros e outros grupos socialmente frágeis.

Delas, as cotas nas universidades brasileiras são as de maior resultado prático. Em todas as pesquisas feitas, os alunos cotistas aparecem com melhor média de rendimento.

O governo brasileiro pactuou o Tratado de Durban para assegurar ações que garantam diversidade e igualdade de condições entre os historicamente desiguais, rumo à modernidade.

Cotas para mulheres, portadores de deficiência, negros, indígenas e camadas populares são uma forma de equilibrar pluralidade cultural e étnica, e passos importantes para consolidar a democracia brasileira.

* educador