País continua com grau de investimento, diz Fitch

SÃO PAULO, 13 de maio de 2009 - A recessão global, desencadeada pela menor liquidez nos mercados globais após a crise subprime, afeta de forma desigual os emergentes. Enquanto no México a recessão expõe fragilidades estruturais do país e o fracasso do governo em reduzir a dependência do petróleo, no Brasil a estabilidade macroeconômica, construída nos últimos anos, ganha mais destaque. A nota de crédito do México, em perspectiva negativa, pode ser rebaixada pelas agências de rating este ano. Já o Brasil, que desde 2008 é grau de investimento, teve ontem sua nota reafirmada pela Fitch Ratings.

A agência de classificação de risco Fitch reafirmou a nota de risco de crédito do Brasil em moeda estrangeira em "BBB-", o primeiro nível dos países considerados seguros para o investidor. A perspectiva para o rating brasileiro é estável, não devendo, portanto, sofrer alteração na próxima revisão da nota brasileira a ser feita pela Fitch. Ao justificar a manutenção do rating brasileiro, em seu relatório, a Fitch lembrou a solidez das contas externas do Brasil, a estabilidade macroeconômica e um "consenso" quanto aos rumos da políticas econômica.

A Fitch estima uma contração no PIB brasileiro de 1% este ano, assim como uma maior flexibilidade na política monetária brasileiro. A Selic já está em seu menor valor histórico, a 10,25% ao ano. "Mesmo com a expectativa de contração no PIB, a maior flexibilização monetária, um sistema financeiro relativamente forte e a força da economia doméstica sugerem que a economia brasileira estará bem posicionada para se recuperar assim que o ambiente para os financiamentos externos melhorar", afirmou Shelly Shetty, diretora sênior de ratings da Fitch.

As ressalvas em relação ao rating brasileiro, feitas pela agência, se referem à falta de reformas e à fraqueza estrutural nas finanças públicas. Segundo a agência, estes fatores "limitam a evolução da nota brasileira". "Um ambiente econômico desafiador exporá a fraqueza estrutural das finanças públicas e testará a credibilidade fiscal do governo que terá de enfrentar um choque nas receitas em 2009", avaliou Shelly. Para a Fitch, a redução no superávit primário e o aumento das transferências de recursos do governo para o BNDES podem produzir um aumento da dívida geral do governo este ano, acima de 60% do PIB, "significativamente maior do que a média dos outros países classificados com BBB".

México em revisão

Já a classificação de crédito do México - país também grau de investimento, mas um pouco acima do Brasil na escala das agências - deverá ser reduzida já no terceiro trimestre deste ano. A recessão mundial está expondo o fracasso do governo mexicano em elevar os impostos e atenuar sua dependência em relação à receita do petróleo, segundo o Credit Suisse e o UBS.

"O México está muito acomodado com os sucessos obtidos da última década", disse Alonso Cervera, economista para a América Latina do Credit Suisse, em entrevista concedida a partir de Nova York. O país "não tomou, na verdade, medidas significativas para implementar as reformas de que precisava", disse ele.

A Standard & Poor's baixou na segunda-feira a perspectiva da classificação de crédito do México de estável para negativa, sinalizando que examina a possibilidade de fazer a primeira redução da nota do país desde a desvalorização do peso, em 1994. A S&P atribui ao México a classificação BBB+, a segunda mais elevada dentre os principais países latino-americanos, depois apenas do Chile. A Fitch, que também classificou os títulos do governo mexicano com BBB+ pôs o país em perspectiva negativa em novembro.

(Jiane Carvalho e agências internacionais - Gazeta Mercantil)