Para Obama, fundos prejudicaram Chrysler

SÃO PAULO, 12 de maio de 2009 - A intimidação do presidente americano Barack Obama sobre administradores dos fundos de "hedge" pode custar o apoio deles a plano governamental para dar um impulso nos empréstimos, de acordo com Cliff Asness, sócio gerente da AQR Capital Management.

Obama culpou os especuladores de fundos de "hedge" por forçar a montadora de veículos Chrysler a pedir concordata (segundo as leis americanas) depois que rejeitaram a ofertas feitas pelo governo para comprar títulos de sua dívida com deságio em abril. Um grupo de empresas que havia rejeitado o plano de Obama, dizendo que ele violava os direitos dos diretores, retirou sua oposição na semana passada.

Asness, que deixou o Goldman Sachs Group 11 anos atrás e hoje administra US$ 20 bilhões na sua empresa, que tem sede em Greenwich, no estado de Connecticut, disse que o uso de pressão política por parte de Obama sobre a Chrysler pode impedir que os fundos invistam no TALF (Term Asset Backed Securities Loan Facility), plano para estimular a oferta de crédito para consumidores e empresas. O plano para gerar US$ 1 trilhão em empréstimos para consumidores e pequenas empresas conta com a possi-bilidade de fazer que investidores privados, tais como os fundos de "hedge", invistam.

"Seria divertido se não fosse perigoso ele esperar que eles façam isso, quando ele já mostrou o que acontece se eles pedirem que seu dinheiro seja reembolsado corretamente", disse Asness em uma postagem em um blog no dia 4 de maio intitulada "Sem medo em Greenwich, Connecticut". Programas úteis, como aqueles desenhados para ajudar a financiar os empréstimos aos consumidores, não vão funcionar devido à esta intimidação irresponsável". A postagem foi divulgada ontem no Wall Street Journal.

Asness disse que sua empresa não estava envolvida com a Chrysler e acrescentou que as opiniões eram suas, e não da sua empresa.

O grupo de financiadores da Chrysler argumentou que um plano para vender os ativos da montadora a uma nova companhia controlada pela Fiat por US$ 2 bilhões violou a lei americana porque foi dada prioridade a reivindicações por parte de credores sem garantia, incluindo um fundo de saúde do sindicato United Auto Workers, sobre as reivindicações de instituições financiadoras seguradas.

(Gazeta Mercantil)