Alerta para uma epidemia

Roberto Medronho *, Jornal do Brasil

RIO - Os primeiros casos de gripe suína cuja transmissão ocorreu em território nacional foram confirmados. Este evento nos alerta para a iminência de uma epidemia pelo vírus da influenza A (H1N1) em nosso país. Infelizmente, todos os esforços envidados pelas autoridades de saúde não conseguem evitar a entrada de pessoas infectadas não apenas no Brasil, mas em nenhum país do mundo.

Uma pessoa proveniente de um país com transmissão da doença pode estar em período de incubação e, portanto, assintomática. Dessa forma, essa pessoa será liberada pela vigilância sanitária e orientada a procurar um serviço de saúde aos primeiros sintomas da doença. Acontece que a fase de transmissibilidade do vírus começa cerca de dois dias antes do início dos primeiros sintomas. Neste caso, todas as pessoas que mantiveram contato próximo desse caso devem ser monitoradas pelos serviços de saúde, pois podem ter se infectado. Foi isso o que ocorreu com o amigo e a mãe do jovem que contraiu o vírus em sua viagem ao México.

Felizmente, essa cadeia epidemiológica ainda está restrita. Entretanto, é muito difícil evitar que ela se amplie, pois cada caso novo pode transmitir o vírus para diversos contatos, gerando um incremento exponencial na transmissão da doença.

Os casos de gripe suína tenderão a diminuir no Hemisfério Norte, não apenas em função das medidas de controle adotadas, mas principalmente com o fim do inverno. Por outro lado, a chegada dessa estação no Hemisfério Sul é mais um motivo de preocupação, já que a transmissão da influenza é maior no inverno. Assim, a combinação da transmissão da doença pessoa a pessoa no Brasil, associada à chegada do inverno, aumenta a probabilidade de uma epidemia em nosso País.

Diante desse fato, urge que os já sobrecarregados serviços de saúde estejam organizados para o enfrentamento da epidemia, caso ela ocorra. Os profissionais de saúde devem estar capacitados a diagnosticar e tratar precocemente os casos da doença e encaminhar os casos graves para internação hospitalar. Os hospitais devem ter leitos disponíveis e recursos materiais adequados para o atendimento desses pacientes.

Nada mais atual do que o provérbio que ensina a esperar o melhor, preparando-se para o pior.

* Roberto Medronho é epidemiologista da UFRJ