Entrada na final virou caso de polícia

Márcia Vieira, Jornal do Brasil

RIO - A segunda-feira teve gosto de indignação para o torcedor rubro-negro Leonardo Sardou, 27 anos. Em vez de comemorar o quinto tricampeonato da história do seu time de coração, o vendedor deixou sua casa em Jacarepaguá e foi até a 18º Delegacia (Praça da Bandeira) para denunciar que foi impedido de ver a final do Carioca, mesmo com o ingresso na mão.

Pelo menos 15 minutos antes de começar a final tentávamos entrar no estádio, mas não nos deixaram. Os portões foram fechados antes de o jogo começar. Disseram que foi ordem do major Busnello garantiu o torcedor, que ficou com mais três amigos até o fim do primeiro tempo em frente ao portão 18 do Maracanã, na esperança de ver pelo menos a segunda etapa.

Procurado pelo JB, o major Busnello, comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádio, negou a informação.

Os portões só foram fechados meia hora depois do início do jogo defendeu-se o policial, que reconheceu a existência de um tumulto generalizado nos arredores do estádio. Houve uma enxurrada de ingressos falsos somada à inoperância das catracas, que não deram vazão ao grande número de torcedores e entraram em pane. Com a superlotação e para evitar uma confusão ainda maior fui obrigado a mandar fechar os portões.

Mas a denúncia de Marcelo não foi a única. Segundo André Pierone Ferreira, delegado titular da 18º Delegacia, de domingo para segunda, 21 torcedores tiveram o mesmo problema.

Nós não pudemos nem fazer a ocorrência no Jecrim porque não nos deixaram entrar. Mas se fôssemos bandidos teríamos tido acesso esbravejou o técnico de edificações Marco Antônio Villafranco, 27 anos, que estava com Marcelo na hora da confusão e também fez o seu registro de ocorrência no posto policial, na tarde desta segunda.

Diálogo indigesto

Enquanto tentavam convencer os policiais de que estavam com os ingressos dos jogo, Marcelo e Marco Antônio foram obrigados a ouvir da boca de um deles uma máxima que envergonha e revolta quem frequenta o Maracanã.

Você mora no Rio? perguntou o policial.

Claro que sim disse Marco Antônio, sem perder a calma.

No que o policial, tentando se livrar do problema, respondeu, de acordo com o torcedor:

Então, você não sabe que as coisas aqui são assim.

Os torcedores que se sentirem lesados devem procurar a delegacia ou o Juizado Especial Civil mais perto de sua casa para buscar os seus direitos.