Nem tudo na rede é 'cloud computing'

Celso Poderoso *, Jornal do Brasil

RIO - Dizer que cloud computing ( computação nas nuvens , na tradução literal) é algo que veio para ficar não é mais novidade alguma. Porém, considerar tudo o que está na rede como uso dessa tecnologia é um equívoco muito grande.

Tenho lido muitos artigos que colocam essa questão de uma maneira muito simplista. Em alguns casos, chega-se a informar que o fato corriqueiro de se colocar uma aplicação em um data center já é lançar mão da tecnologia de cloud computing. Lamento dizer que não é.

Para entender um pouco mais sobre isso, devemos remontar ao conceito que está por trás desta tecnologia. Cloud computing (que consiste em um modelo de computação onde dados, arquivos e aplicações residem em servidores físicos ou virtuais, acessíveis por meio de uma rede e, dessa forma, possibilita compartilhar atividades e ferramentas pela interligação dos sistemas sem tê-las localmente de forma semelhante às nuvens no céu) é uma evolução de grid computing que, por sua vez, foi uma evolução dos clusters. Todos estão sob o guarda-chuva da computação distribuída.

Conceitualmente, é necessário distribuir o processamento e o armazenamento de dados porque os recursos computacionais têm limitações físicas. Como há uma demanda por muito processamento e armazenamento, e nada indica que isso irá arrefecer ou acabar em um futuro próximo, partiu-se para a distribuição entre recursos disponíveis em uma rede. No caso dos clusters, esses recursos tinham que guardar grande semelhança, seja em software ou em hardware. Com as grids, essa padronização não era necessária e sequer desejável. Em cloud temos a possibilidade de aplicar as grids como recursos não padronizados em redes espalhadas pelo planeta.

O fato é que não basta colocar seu software em um data center. Mesmo que a infraestrutura do data center seja descentralizada e distribuída, sua aplicação precisa ser desenvolvida para extrair o máximo desse ambiente.

Para você ter certeza que está utilizando a tecnologia, procure responder a algumas perguntas simples: Você pode acessar sua aplicação de qualquer lugar e a qualquer hora? Você sabe exatamente em qual servidor está sua aplicação e seus dados? Caso um de seus servidores esteja indisponível, sua aplicação permanece disponível? Caso um dispositivo de armazenamento esteja indisponível, há um mecanismo de acesso alternativo aos seus dados?

Exceto quanto à segunda questão, cuja resposta tem que ser necessariamente não , se você tem dúvidas quanto às demais respostas é porque fatalmente ainda não faz uso completo da tecnologia.

Portanto, é importante evitar que cloud computing se torne apenas um nome de marketing para serviços de TI. Há muita tecnologia e conceitos envolvidos nessa questão.

* Celso Poderoso é economista e especialista em Sistemas de Informação