Educação a distância: opção tecnológica de inclusão

Rita Borges *, Jornal do Brasil

RIO - As mudanças decorrentes da sociedade do conhecimento refletem em muitas áreas, destacando-se a inovação tecnológica, a mudança nos paradigmas econômicos e produtivos e, também, as relacionadas ao setor educacional. São exigidas da educação soluções inovadoras na construção do conhecimento e com as novas tecnologias provoca-se uma revolução nas formas de aprender e ensinar.

A educação a distância (EaD) surge no Rio como uma opção inclusiva para todos os que se reconhecem como sujeitos ativos e modificadores dessa sociedade globalizada, prontos a apropriar-se das tecnologias educacionais como mediadoras no seu próprio processo de aprendizagem.

O conhecimento associado à imaginação tornou-se um dos fatores principais de produção no sistema educacional. Com uma abordagem centrada no estudante, a EaD permite mais flexibilidade no tratamento dos conteúdos e na organização de programas de aprendizagem. Ela tem o potencial gerador de novos modelos de ensino-aprendizagem que influenciam na maneira como a educação em geral é provida. O mais importante desse processo é permitir que os alunos assumam a responsabilidade com o quê, como e onde estudam, com que rapidez e a quem consultam quando necessitam de ajuda (professores, colegas entre outros).

Um processo como a união de esforços de instituições de ensino, dirigida para a satisfação das necessidades dos alunos, relevando o gerenciamento de processos, como um processo de gestão que cumpra o papel de levar conhecimentos aos alunos e assim poder encurtar as desigualdades, tão notórias no sistema educacional. Demandas de formação e qualificação profissional pedem também novas formas de ensinar e aprender.

A EaD é definida como a aplicação de um conjunto de métodos, técnicas e recursos à disposição de alunos para que, em regime de autoaprendizagem, possam adquirir conhecimentos ou qualificações de diferentes níveis, desde que seja provido um conjunto de elementos didáticos associados a uma determinada aprendizagem. No entanto, não são as ferramentas de última geração que marcarão futuro na educação, mas os novos papéis a serem desempenhados por professores e alunos. Esses novos papéis demandam professores cada vez mais orientadores e alunos cada vez mais investigadores. Na forma de ensinar, mediada por novas tecnologias, modelos de gestão se fazem necessários, não apenas porque muitos ainda não têm acesso às mais recentes tecnologias, mas também porque para cada situação de aprendizagem é preciso definir as soluções mais pertinentes.

O planejamento deve ser entendido como estratégias para se obter um desempenho superior à média, criando e desenvolvendo uma posição exclusiva e sustentável nos processos de gestão de programas de EaD no ensino médio, na educação profissional, Educação de Jovens e Adultos e superior.

Acredito que para um bom modelo de gestão da modalidade de EaD é necessário partir do princípio básico dos elementos estratégicos, bem como do objetivo e da missão clara do que essa instituição de ensino se propõe a realizar na prestação de seus préstimos e serviços educacionais para com a sociedade local, regional e até mesmo global. É importante compreender que em programas de EaD o professor está em um local e os alunos em outro, e por essa razão faz-se obrigatório o emprego de um meio de comunicação eficiente. Em sistemas de EaD, é estabelecida uma gestão eficiente para que os resultados educacionais sejam plenamente alcançados.

No Rio de Janeiro, em vários programas de EaD na educação básica e superior, é percebida opção estratégica de programas que se baseiam numa abordagem pedagógica que privilegia a autonomia do aluno a respeito de sua aprendizagem. A educação deve ser pensada e vivenciada na prática como instrumento mais competente de mobilidade social. Nesse sentido, o Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia e do Conselho Estadual de Educação, vem empreendendo esforços em projetar ações que permitam desenvolver programas de EaD e ao mesmo tempo apregoa uma preocupação com a inclusão em uma sociedade que se caracteriza pela tecnologia da informação e da comunicação visando atender às demandas da sociedade.

* Rita Borges é pedagoga, com especialização em gestão da educação a distância, mestre em sociologia e doutora em engenharia de produção. É assessora de gestão educacional, programas de educação a distância, inovação tecnológica e legislação educacional da Academia pela Internet Cisco (staff.edu)