É cedo para usar máscara

Alberto Chebabo, Infectologista, JB Online

RIO - A população brasileira já mostra sinais de preocupação com essa doença, que pode se tornar uma epidemia de proporções em nível mundial. Temos observado que parte da população está tomando medidas não recomendadas agora. A procura exagerada por máscaras e medicações cria um clima de histeria que não ajuda no controle.

Até o momento não há casos detectados de circulação do vírus no Brasil. As medidas tomadas têm como objetivo não permitir a entrada do vírus no país. Mesmo nos países com casos detectados, não há recomendação para utilizar máscaras de proteção. Só profissionais de saúde em atendimento direto aos pacientes suspeitos e familiares destes pacientes têm essa premissa.

A utilização de máscaras pela população só estará indicada quando, como no México, a epidemia estiver fora de controle. Neste caso, outras medidas serão necessárias, como a suspensão de aulas e de atividades onde haja aglomeração com risco de transmissão do vírus entre as pessoas. Neste caso, o Ministério da Saúde irá orientar a população sobre estas medidas.

O mesmo ocorre em relação aos antivirais. Há dois grandes agravantes em relação à auto medicação. O primeiro é que a utilização inadequada da medicação pode trazer efeitos colaterais indesejáveis, que podem ocorrer com qualquer medicamento e levar a consequências que podem ser graves. Já tivemos exemplos recentes de pessoas que tomaram a vacina contra febre amarela sem que houvesse indicação e acabaram morrendo de efeitos colaterais desta vacina.

O segundo agravante é que o uso inadequado dos antivirais pode levar a modificações no vírus, tornndo-o resistente ao medicamento, a única arma que temos disponível para combater esta epidemia. O uso da medicação deve sempre ser orientada por um médico, segundo as recomendações vigentes para o tratamento das infecções por influenza.

No momento, devemos nos preparar estruturas para o atendimento da população, de acordo com as diretrizes da OMS. Com o nível de informação de hoje, não há como qualquer órgão, seja ele governamental ou não, esconder a real situação. Cabe à população acompanhar as recomendações das autoridades sanitárias, confiar e seguir as medidas propostas por elas.