Um projeto pelo fim da cultura do desperdício

Andrea Gouvêa Vieira *, Jornal do Brasil

RIO - Márcia e Mário moram há oito anos num condomínio da Barra da Tijuca onde está sendo discutida a instalação de equipamentos individuais para medição do consumo de água. Saudável preocupação. Hoje, no condomínio deles, vigora o regime pelo qual os consumidores rateiam entre si, igualmente, o custo do fornecimento de água. A ideia no condomínio de Márcia e Mário é que os moradores invistam nos novos equipamentos para que o consumo, no futuro, seja rateado de acordo com o gasto de cada um.

É um passo importante para acabar com a cultura do desperdício, tão radicada em nossas vidas. O condomínio recebe uma conta pelo seu consumo e o rateio não diferencia uma família de duas pessoas de uma outra com seis pessoas. Paga o justo, que consome pouco, pelo pecador, que desperdiça.

É preciso, porém, que a questão seja regulada sob a forma de lei. É o que pretendemos com as emendas que propomos ao projeto de lei complementar do vereador Jorge Mauro, de 2000 e que agora está sendo desarquivado. Nosso olhar está no futuro, pois pretendemos que a obrigatoriedade seja apenas para as construções a serem licenciadas a partir da regulamentação da lei.

O fato de a geração e distribuição de água hoje ser atribuição de um órgão estadual não cria obstáculo para esse tipo de exercício de cidadania. Isto porque o projeto cuida apenas do licenciamento dos prédios, atribuição exclusiva do Município. Além do mais, as repetidas mostras de bom entendimento entre o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes apenas tornam as coisas mais fáceis.

* Andrea Gouvêa Vieira é vereadora