Maicosuel driblou. Edmundo debochou

Gonçalves *, Jornal do Brasil

RIO - Não achei que tenha sido provocação do Juan. Ele, ao meu ver, usou um artifício para ludibriar o adversário. Isso é comum. Garrincha fazia muito. Atualmente, Ronaldinho Gaúcho faz. É um recurso dos jogadores habilidosos.

Eu vivi uma situação desconfortável em 1997. Jogávamos contra o Vasco na final da Taça Guanabara e houve uma provocação do Edmundo. Não podemos comparar as duas situações. O lance do Edmundo foi deboche, assim como o do Edílson (final do Campeonato Paulista de 1999 entre Corinthians e Palmeiras, o jogo da pancadaria por causa das embaixadas).

O Maicosuel parou a bola na frente do Juan, botou a bola na frente e deu um drible. Ele (Juan) tem que saber distinguir o que é um drible e o que é uma provocação. Para mim, Juan deveria ter sido punido com cartão vermelho.

O caso do Edmundo foi diferente. Até porque, em momento algum, ele tentou dar um drible em cima de mim. O que ele fez foi desrespeitar os jogadores e a torcida do Botafogo. Eu, na hora, tive sangue frio, não o agredi. Não fiz nada.

O mais interessante era a conquista do título. Ter uma atitude destemperada naquele momento era prejudicial a mim mesmo, pois ficaria fora da final.

É importante para um defensor saber se policiar, ter tranquilidade para não prejudicar a si próprio e a equipe.

Domingo, por exemplo, alguns jogadores do Botafogo tiveram a reação de interpelar o Juan para que ele não tentasse intimidar o Maicosuel. Talvez, se eu estivesse lá, teria chegado e dito: Tá maluco? Para com isso, isso é do jogo! .

Ali no momento, cada jogador devia tentar preservar os seus jogadores. Essa atitude de intimidar o adversário pode resultar uma reação de autodefesa, e essa autodefesa não pode ser muito agressiva para não causar uma expulsão.

É comum no futebol esse tipo de provocação. O que os mais experientes devem fazer é não permitir que os jogadores percam a cabeça e sejam expulsos. Acho que, quando o atacante é habilidoso e utiliza esse expediente para se livrar do marcador, não problema nenhum. Sou contra deboche.

E o mais difícil no deboche é ter a cabeça fria. Volto ao meu caso com o Edmundo. Não gostei da reboladinha dele, mas não fiz nada para revidar. Guardei aquilo e no jogo final, quando fomos campeões, eu e os jogadores fomos comemorar na frente da nossa torcida devolvendo a provocação.

Entendo que esta seja a melhor saída. Responder no campo, na bola. Não se desesperar. Senão, você prejudica o seu time e o adversário, que zombou de você, sai rindo duas vezes.

O Juan errou ao tentar intimidar o Maicosuel. Deveria ter sido expulso.

* ex-zagueiro do Botafogo