Mantega assegura solidez do país e dispensa empréstimo

BRASÍLIA, 24 de março de 2009 - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou positiva a linha de crédito de R$ 250 bilhões aprovada hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para socorrer países fragilizados pela turbulência financeira mundial, mas disse que o Brasil não vai necessitar do empréstimo.

Segundo o ministro, o Brasil pleiteava a linha de crédito para melhorar a liquidez do mercado internacional que vem prejudicando, em parte, as exportações brasileiras. Porém, Mantega assegurou que as condições do Brasil são sólidas e não há necessidade de acessar os recursos do Fundo. "O Brasil não está precisando. Estamos pensando em outros países que precisam de liquidez nesse momento", disse ele.

O ministro vê um "avanço" na linha de crédito do FMI. Segundo ele, a linha é "flexível" e sem "condicionalidade" na liberação dos recursos. "Não exige aquele monitoramento e estabelecimento de metas de desempenho que eram estabelecidas nas linhas anteriores do Fundo Monetário", destacou o ministro. E disse que o crédito será concedido com taxas de juros "vantajosas", que variam entre 1,5% e 3% anuais, com três anos e meio de carência e cinco anos para pagar.

Porém, o ministro reforça que para acessar os recursos, o país precisa estar com as contas fiscais sólidas. "Muitos países tiveram esse comportamento antes da crise acontecer, e agora tiveram apenas uma deterioração em função da crise", complementou o ministro.

Mantega sugeriu ainda a criação de uma linha de crédito do FMI para financiar o comércio de países emergentes. "O comércio sofrerá retração este ano, em parte, porque a demanda caiu e em parte porque está faltando crédito. O ministro disse, porém, que o Brasil "conseguiu acomodar suas necessidades" de crédito, mesmo diante da manutenção da turbulência financeira mundial.

"É mais importante que deem crédito aqueles países que importam produtos do Brasil, pois as exportações brasileiras diminuíram, em parte, porque alguns consumidores do Brasil estão sem crédito. Basta dar crédito a esses países para melhorar as condições para o Brasil". Para este ano, o Banco Central prevê um recuo de US$ 35 bilhões nas exportações brasileiras.

O ministro, entretanto, evitou citar nomes de países que eventualmente poderão acessar os recursos do Fundo Monetário Internacional. "Eu não sei quais os parceiros que vão precisar dessa linha de crédito. Não me cabe mencioná-los", disse o ministro, quando questionado se ele recomendaria o acesso da Argentina aos recursos do FMI.

Com objetivo de melhorar a liquidez de crédito mundial, o ministro adiantou que o Brasil vai sugerir na próxima reunião do G-20 que países como China e Estados Unidos injetem mais recursos no FMI. Assim, o organismo poderia redistribuir as cifras a países "mais necessitados".

Segundo Mantega, hoje a necessidade de recursos do Fundo Monetário Internacional varia de US$ 500 bilhões a US$ 1 trilhão. Segundo ele, o Japão vai aplicar US$ 100 bilhões nos cofres do FMI. "O Brasil poderá até colocar, mas o importante é que os países que têm excedente fluxo de capitais estejam dispostos a colocar os recursos nos países necessitados, cuja maioria são os emergentes".

(Viviane Monteiro - Gazeta Mercantil)