Controle e sociedade

André Luís Woloszyn*, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, 11 de março de 2004 na Espanha e 07 de julho de 2005 na Inglaterra ainda produzem efeitos na comunidade internacional e o medo de novas ações de radicais islâmicos tem elevado os níveis de segurança destes países. O Reino Unido divulgou sua maior estratégia de mobilização desde a 2ª Guerra: um plano antiterrorista que prevê treinamento para detecção de ameaças que deverá abranger, aproximadamente, com 60 mil participantes de todos os segmentos sociais.

Em 2008, o governo já havia lançado um amplo programa para prevenir o desestímulo a ideologias extremistas destinado, principalmente a jovens muçulmanos, realizado através de sites na internet. Os sites concitavam a criação de uma Al Qaeda britânica e realizavam ameaças a autoridades, apresentando, dentre outros assuntos, manuais de como confeccionar artefatos explosivos com soluções caseiras.

Embora as iniciativas sejam embasadas em incidentes do passado e atentados após julho de 2005, detectados pela inteligência a tempo de não se concretizarem, muitos especialistas apontam para o ressurgimento do estado policial. Provavelmente imigrantes serão o foco principal, como no episódio da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, numa operação antiterror da polícia em 22 de julho de 2005. Outros apontam ainda como causa para o atual cenário, a política de imigração liberal da Inglaterra que não conseguiu afastar a tendência de segregação das comunidades imigrantes, tornando-as susceptíveis a ideologias radicais.

Não se trata de um fenômeno isolado. A União Européia recentemente aprovou por consenso a Diretiva de Retorno que disciplina a expulsão sumária de imigrantes ilegais (13,5 milhões). Neste contexto, e com um passado de violência, a tendência é a maior rigidez das normas imigratórias. O fantasma do terrorismo internacional, tem afastado o pretérito sonho da sociedade sem fronteiras, apresentando o retorno de antigos sistemas de controle utilizados na Guerra Fria.

*Especialista em ciências penais e terrorismo