Velhos companheiros, Dorival Júnior e Cuca vivem semana de extremos

Julio Calmon, Jornal do Brasil

RIO - Dois velhos companheiros de gramado vivem momentos extremos na semana que antecede ao clássico. Enquanto o Vasco de Dorival Júnior, mesmo rebaixado para a segunda divisão, está embalado no Carioca e em lua-de-mel com a torcida, o Flamengo de Cuca vive dias de tensão na Gávea. A pressão é tão grande que um insucesso rubro-negro no domingo pode custar o emprego do treinador. Tempos bem diferentes da época em que Cuca e Dorival jogavam juntos no Palmeiras (92), quando usavam o dinheiro da caixinha dos jogadores para ajudar os mais carentes.

Quando jogávamos no Palmeiras, o Cuca tinha uma Saveiro onde levava alimentos para instituições. Eu o ajudava a carregar o carro e a conseguir os descontos no supermercado. E com o dinheiro que sobrava, a gente voltava e comprava mais relembrou o técnico.

Apesar do gesto de solidariedade do amigo, Dorival deixou escapar de forma bem-humorada que Cuca é um pão-duro.

Todas as vezes que a gente sai, eu é que tenho que pagar a conta. Desde que cheguei ao Rio, já liguei para o Cuca várias vezes, mas ele não retorna. Ele não gasta nem para comprar a ficha disse Dorival Júnior, que também jogou com Cuca no Juventude (95). Depois do clássico poderíamos marcar um almoço ou algo assim, pois no momento, ele é inimigo.

Reforço contra a crise

Com Obina sem marcar desde o ano passado e Josiel sem convencer a torcida, apesar dos seus seis gols no Campeonato Carioca, o Flamengo tenta sua derradeira cartada para solucionar um dos seus problemas neste início de temporada. Será apresentado amanhã o atacante Emerson, de 30 anos, revelado pelo São Paulo e que passou boa parte da carreira no Japão e Catar.

O atacante tem boas credenciais. No Japão, foi eleito o melhor jogador do país em 2003 e artilheiro em 2004. No Catar, também foi eleito o melhor da liga em 2006. Mas sua carreira é marcada por polêmicas também. Nascido Márcio Passos de Albuquerque, em 6 de setembro de 1978, em Nova Iguaçu, o jogador responde a processo por falsidade ideológica desde 2006, quando foi detido pela Polícia Federal por usar documentos oficiais em nome de Márcio Emerson Passos.

Recentemente, o atacante se naturalizou catariano para defender a seleção local. Depois de três partidas, Emerson virou pivô de um processo movido pelo Iraque, após uma partida entre os dois países pelas eliminatórias asiáticas da Copa de 2010. Por ter disputado um Sul-Americano sub-20 pelo Brasil, Émerson não poderia jogar por outro país.

Kleber Leite pretende receber a documentação do jogador até amanhã, data limite para inscrições no Campeonato Carioca.