Uma ameaça fora de controle

Marcelo Medeiros *, Jornal do Brasil

RIO - Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o uso da energia nuclear passou a figurar com destaque nas preocupações internacionais. A sua utilização nunca é assunto pacífico mesmo na medicina ou na produção de energia.

Atualmente, os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte estão desafiando e inquietando o mundo.

No mês passado começou a funcionar, em fase de testes, a primeira usina nuclear do Irã, construída no porto de Bushehr com a ajuda da Rússia. Os EUA, Israel, e os mais poderosos países da Europa estão convencidos de que os iranianos decidiram fazer a bomba, embora eles continuem afirmando que o programa é para produzir energia.

Desde que o presidente Obama tomou posse, os inspetores da ONU constataram que o Irã possui um terço a mais de urânio enriquecido do que alegava ter.

Michael Mullen, o mais alto comandante militar americano, declarou em entrevista à rede de TV Fox News que o Irã tem material suficiente para a fabricação de uma bomba nuclear.

O impacto político dessa descoberta pode ser significativo para o governo Obama. O presidente americano disse que quer abrir um processo de diálogo com o Irã sobre o programa nuclear. Mas esse processo pode durar meses e o relatório dos inspetores da ONU afirma que o Irã avança rapidamente e já está, inclusive, testando mísseis de longo alcance.

Robert Gibbs, porta-voz do governo americano, pede urgência para a comunidade internacional se unir e responder.

Um confronto atômico numa região onde três países Israel, Paquistão e Irã têm armas nucleares, certamente irá interferir no fornecimento de petróleo do Oriente Médio, com consequências ainda mais desastrosas para a economia mundial.

Esta ameaça cresce assustadoramente, na medida em que o Irã afirma que vai varrer Israel do mapa.

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, com o apoio da Alemanha, Inglaterra e Holanda declarou que, com o enriquecimento de urânio pelo Irã, a França tem de estar preparada para uma eventual guerra. É preciso que os Estados-Maiores façam seus planos e digam aos iranianos que não aceitaremos a construção da bomba .

Estados-Maiores é o nome com que o chefe da diplomacia francesa identifica os países sabidamente nuclearizados: EUA, Rússia, China, Inglaterra, França, Índia, Paquistão e Israel.

O jornal inglês Sunday Telegraph assegura que os Estados Unidos estão preparados para uma guerra contra o Irã. E, inclusive, já têm uma lista com 2 mil alvos para serem atingidos.

De acordo com analistas internacionais Israel já tem todos os planos estratégicos para bombardear o Irã. E ameaça fazê-lo antes dos Estados Unidos.

Barack Obama prometeu tentar construir um mundo livre de armas nucleares. Quer negociar novos cortes de armas com a Rússia. Os dois países juntos detêm 95% do arsenal nuclear mundial.

Desde sua posse, em janeiro, o presidente americano vem dando sinais de uma possível reaproximação com o Irã, país com o qual Washington não mantém relações diplomáticas desde 1979.

Segundo Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA , nós herdamos vários desafios e ameaças, com os quais teremos de lidar. Estamos virando páginas para ter mais parceiros e menos inimigos .

A ameaça das armas nucleares aumenta a cada dia. As nações diretamente envolvidas simulam estratégias de desarmamento mas, na realidade, não abrem mão do poder que têm nas mãos.

* jornalista