Não é uma escolha equilibrada

Luciano Burti *, Jornal do Brasil

RIO - Eu vejo a intenção maior da FIA no momento como tentativa de melhorar o espetáculo, trazer mais emoção para a disputa. Dá para ver que as mudanças técnicas para esta temporada tanto a redução aerodinâmica quanto a introdução do Kers foram pensadas para aumentar o número de ultrapassagens, aumentar a disputa na pista de modo a proporcionar maior espetáculo ao público.

Essa nova forma de eleger o campeão é mais uma vez pensando na emoção da corrida. O que vale mais é a vitória. Os pilotos não poderão correr pensando em administrar a pontuação, se contentar com o segundo ou terceiro lugares. Isso pode fazer com que eles arrisquem mais, deixando de fazer uma corrida burocrática e tornando as provas mais agressivas.

Pensando assim, essa mudança vai tornar a Fórmula 1 mais disputada, mas também vejo o lado técnico e, dessa forma, não é uma escolha tão equilibrada. Alguns pilotos têm grande mérito de serem regulares ao longo do ano, sempre competitivos e sem cometerem erros, assim como as equipes que conseguem fazer um carro rápido e com durabilidade. Essa nova regra vai tirar o mérito deles. Talvez um piloto que ganhe algumas corridas, mas erre muito, será beneficiado.

Acredito que o sistema de pontuação proposto pelas equipes (o vencedor ganharia 12 pontos e o segundo colocado 9) conseguiria aumentar o espetáculo de uma maneira mais correta. Cresceria em 50% a diferença do primeiro para o segundo colocado. Quem vencesse a prova teria uma vantagem maior na pontuação. A vitória seria mais valiosa, mas quem mantém a regularidade também seria recompensado.

Entendo que a FIA tente proporcionar um espetáculo mais emocionante, mas nem sempre você vai dar o título de campeão à equipe e ao piloto mais competentes durante todo o campeonato. Não é muito justo.

* Ex-piloto de Fórmula 1