Parreira: Serei o mais objetivo possível. Não vou reinventar a roda

Hilton Mattos, JB Online

RIO - Deu para ouvir tímidos aplausos vindos das sociais quando Carlos Alberto Parreira, às 16h03, pisou o gramado das Laranjeiras em seu primeiro dia de trabalho no Fluminense. Calça ao invés de bermuda, camisa de treino, mãos se batendo, caminhou lentamente para o centro do campo ciente da responsabilidade que o espera. Nome de consenso no clube, o técnico do tetra com a Seleção chega com a missão de juntar os cacos do frustrante início de uma temporada marcada pelo alto investimento do patrocinador.

Nove anos depois, Parreira era novamente recepcionado pelos mesmos roupeiros e massagistas que nas décadas de 80 e 90 davam o tempero da cozinha que levou o time aos títulos brasileiros das Séries A e C do Brasileiro. O vestiário, reformado como exigência contratual em sua última passagem pelo clube, ganhou nova estrutura a exemplo da sala de musculação e do departamento médico.

Mas ainda é pouco para as pretensões do treinador. O único palco de treinos reflete um clube atrasado. Parreira gostaria de estar num equipado centro de treinamento, desfrutando de, pelo menos, três campos para os profissionais e mais um para as divisões de base. Seria esta a realidade ideal para o tricolor, na avaliação do novo comandante.

Longe do cenário dos sonhos, Parreira viu o surrado campo que sobrevive há décadas. Com sua marca registrada, cumprimentava velhos conhecidos com expressões como white hair (cabelos brancos) e outros nomes em inglês. Era o Parreira elegante, figura emblemática que transcende a função de treinador e apaixona quem torce pelo Fluminense.

Um misto de simplicidade e sabedoria. Parou, como há nove anos, no corredor da saída do vestiário para a coletiva de imprensa sem o menor constrangimento. Não sabia da existência da nova sala de imprensa. Consultor da Fifa, perde a conta das vezes em que se sentou em centro de convenções modernos do primeiro mundo. Nem assim, deixaria de atender os jornalistas no apertado corredor.

Parreira foi cercado de mimos. Todos queriam cumprimentá-lo. Em alguns casos, era ele quem ia ao encontro, fosse de um sócio que o viu garoto ou de algum jogador que irá comandar. O atacante Leandro Amaral apareceu no clube pela primeira vez desde que operou o joelho direito. Recebeu afago de um sorridente treinador, que tranquilizou o jogador mais cobrado do clube na temporada.

Leandro deve voltar em dois meses. O ataque para esta quarta-feira, contra o Volta Redonda, pela segunda rodada da Taça Rio, deve ter Everton Santos e Thiago Neves. Mas Parreira avisa: serão aproximadamente 70 jogos até dezembro, e todos terão chances na equipe. O primeiro é o atacante Fred. O técnico confirmou a estreia do jogador domingo, diante do Macaé, no Maracanã. O jogador esteve no grupo do técnico na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Sem inventar

Em relação ao time que derrotou o Mesquita, domingo, no Engenhão, o técnico promete poucas mudanças. O rejeitado Jaílton teve uma conversa em particular com Parreira antes do jogo-treino entre os reservas e o time de juniores.

No esquema tática do treinador, haverá espaço apenas para um volante. Fabinho, que tem feito a proteção aos zagueiros, pode perder a posição. No treino tático desta terça-feira pela manhã, Parreira vai testar a nova formação.

Serei o mais objetivo possível. Simplicidade é tudo. Não vamos reinventar a roda disse o treinador, que espera contar com o apoio maciço do torcedor amanhã, em sua volta ao Maracanã.