Fla estreia sob desconfiança de técnicos que caem na Copa do Brasil

Julio Calmon, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Sem jogar a Copa do Brasil há dois anos por estar disputando a Taça Libertadores da América, o Flamengo estreia nesta quarta contra o Ivinhema-MS, em Campo Grande, às 21h50 (hora de Brasília), querendo voltar à competição continental. Conhecida como um atalho para o torneio sul-americano, a Copa do Brasil é a chance de o técnico Cuca acalmar o ambiente conturbado do elenco rubro-negro, derrotado pelo Resende na semifinal da Taça Guanabara. Um tropeço no Mato Grosso do Sul deixaria o clima na Gávea insustentável para o treinador.

Apesar de ninguém na Gávea saber ao certo o que pode fazer em campo o time do Ivinhema, de uma cidade homônima distante cerca de 200 km da capital sul-mato-grossense, o técnico Cuca sabe que times pequenos costumam aprontar na Copa do Brasil e até derrubar técnicos. Ele mesmo perdeu o emprego no Flamengo em 2005, quando foi demitido após ser eliminado pelo Ceará. Por coincidência, na época, o primeiro jogo foi realizado em Campo Grande, no Estádio Morenão, mesmo local da partida de hoje. O time então comandado por Cuca perdeu por 2 a 0. A eliminação veio em Fortaleza, com um empate de 1 a 1.

Sem um titulo como treinador, Cuca quer agarrar a chance de levantar uma taça pela primeira vez. Ele já conquistou a Copa do Brasil como jogador do Grêmio, em 1989. A corrida para quebrar o jejum começa hoje e o Ivinhema é o primeiro obstáculo.

A Copa do Brasil não perdoa. Um dia que você está mal, pode ficar de fora da competição. Sei bem como é. Poderia ter ido um pouco mais longe, mas acabei ficando nas semifinais comentou Cuca, semifinalista das duas últimas edições pelo Botafogo.

Com folha salarial de R$ 25 mil, incluindo gastos administrativos, o Ivinhema prometeu aos jogadores que pagará R$ 30 mil de bicho em caso de êxito contra os rubro-negros. Pode até ser difícil derrubar o Flamengo e o técnico Cuca, mas não é impossível, como mostra a história.

Em 2005, poucos apostariam que o pequeno Baraúnas, de Mossoró-RN, venceria o Vasco por 3 a 0 em São Januário e levaria a vaga para o Rio Grande do Norte. Com o resultado, o técnico Joel Santana foi demitido após ver o gorducho Cícero Ramalho, de 40 anos, marcar um dos gols. Em 2007, foi a vez do Gama derrubar o Vasco no Maracanã, quando todos esperavam que Romário marcasse o milésimo gol. Uma semana depois, o técnico Renato Gaúcho era demitido.

Nem o atual campeão da Taça Guanabara, Ney Franco, escapou da humilhação de ser despedido depois que perdeu a vaga na Copa do Brasil para um time pequeno. No ano passado, no comando do Atlético-PR, o treinador havia conseguido o recorde de 12 vitórias consecutivas, mas não resistiu à eliminação para o Corinthians de Alagoas (caiu logo depois de um empate com o São Paulo pela primeira rodada do Brasileiro).

Às vezes, a mudança de técnico depois de um resultado ruim pode até salvar o torneio. Foi o que aconteceu com o Fluminense em 2007, quando demitiu Joel Santana após um empate com o Bahia no Maracanã. Renato Gaúcho, que já havia sido demitido do Vasco, assumiu o comando do tricolor, conseguiu a vaga em Salvador e terminou a competição como campeão.

Há também aqueles times que seguraram seu técnico mesmo depois de um desastre e acabou se beneficiando um pouco depois. Caso do Grêmio e Celso Roth no ano passado, quando o tricolor gaúcho foi eliminado pelo Atlético-GO, em Porto Alegre. Roth e o Grêmio conseguiram a vaga na Libertadores com mais dificuldade, com o vice-campeonato do Brasileiro.

Antigos vexames

A Copa do Brasil já aprontou muito com o Flamengo, Campeão em 1990 e 2006. Em em outras três edições, o time terminou como vice-campeão. Em uma delas, em 2004, perdeu a decisão para a zebra Santo André.

Ficamos marcados por conta daquela final lembrou Ibson, que participou do time vice-campeão em 2004. Lá nós empatamos. Aqui, sofremos dois gols no segundo tempo. Mas passou. É esquecer o passado e pensar no futuro. Temos de entrar com tudo.