Sem vaias, Lula estreia na Sapucaí e promete voltar em 2010

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RIO - Com a bênção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela primeira vez na Marquês Sapucaí, o Império Serrano abriu neste domingo, sem muito luxo, os desfiles da elite do Carnaval carioca com o 'Canto da sereia', relembrado em coro pelo público. Em contraste, a Grande Rio esbanjou no brilho para trazer a França ao Brasil, mas teve problemas em sua passagem pela avenida.

Lula, com chapéu Panamá e vestindo camisa florida branca e azul-claro, desembarcou no sambódromo no início do desfile da primeira escola. Acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, e do governador Sérgio Cabral, o presidente apareceu algumas vezes para o público e acenou do camarote do governo estadual.

Durante a passagem da Grande Rio, a primeira-dama, quebrou o protocolo e desceu do camarote para sambar, cercada de seguranças, mas sem a companhia de Lula. Dona Marisa repetiu a dose na passagem da Vila Isabel, terceira escola da noite que cantou os 100 anos do Theatro Municipal carioca, e não perdeu a chance de saudar o cantor Martinho da Vila.

Ao deixar o sambódromo, na madrugada desta segunda-feira, o presidente disse que foi 'maravilhoso' e que pretende voltar no ano que vem.

Primeira escola a passar pela avenida, o Império Serrano, apesar de um desfile com fantasias e alegorias simples, recebeu o caloroso apoio do público que, em coro, relembrou o samba de 1976. Mas isso pode não ser suficiente para garantir uma boa colocação à escola, que subiu neste ano para o Grupo Especial.

'Ela mora no mar, ela brinca na areia' levantou o público e emocionou o único ainda vivo dos três compositores do música. - É a maior emoção da minha vida. Tanto tempo depois e o público ainda lembrar desse jeito - disse ao término do desfile Vicente Matos, 70 anos, que compôs 'A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar'.

Pelas mãos da Grande Rio, o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel passaram pela avenida, entre outros símbolos da França, como o famoso Moulin Rouge, em um desfile marcado pelas cores da bandeira francesa (azul, vermelho e branco), luxo das fantasias e grandiosidade dos carros. Mas houve alguns tropeços. - Problemas técnicos, infelizmente, acontecem - disse à Reuters o carnavalesco Cahê Rodrigues, referindo-se ao carro da Torre Eiffel que passou pela avenida apagado.

Além disso, o destaque do carro da comissão de frente da escola de Caxias sofreu uma queda diante dos jurados. - Eu caí. Isso é o bonito do Carnaval, ele é vivo. Eu caí e levantei - disse Bruno Cezario. Outro contratempo foi a quebra na dispersão do aguardado carro com bailarinas do Moulin Rouge de Paris, que forçou as dançarinas de cancan, cuja fantasia custou mais de 30 mil reais, a descerem às pressas para não ultrapassar o tempo de apresentação da escola.

- A escola passou vibrante, alegre, cantando. A Grande Rio deixou seu recado - disse o carnavalesco, que não viu o tombo do destaque, mas reconheceu que pode custar pontos à escola. A Grande Rio, com enredo 'Voilá, Caxias! Para Sempre Liberté, Egalité, Fraternité, Merci Beaucoup, Brésil! Não Tem de Quê', foi única a receber patrocínio de empresas (francesas), entre as 12 que desfilam na elite.