Beija-Flor faz desfile histórico, levanta a torcida e briga pelo tri

Álvaro Costa e Silva, JB Online

RIO - Quinta escola a desfilar na madrugada desta segunda-feira - e, diga-se de passagem, a mais aguardada - a Beija-Flor só faltou fazer chover na Sapucaí. Mas deu um banho nas outras concorrentes - nada mais adequado para o enredo "Chuveiro da alegria, quem banha o corpo lava a alma". Ao fim da apresentação impecável, a escola de Nilópolis está muita próxima de confirmar-se como a maior campeã da era Sambódromo, com seis títulos nos últimos sete anos. Resta, agora, às agremiações que desfilam ainda nesta segunda a árdua tarefa de tirar reverter a situação.

Díficil, muito difícil. Mas no Carnaval tudo é possível. O melhor de tudo é que, este ano, a Beija-Flor não vendeu o enredo para patrocinadores, ao contrário de 2008, quando o bicampeonato, em parte, foi bancado pela prefeitura do Amapá e pelo governo do Amazonas. Mesmo assim, a escola gastou pesado; cerca de 7 milhões foi o custo total do desfile. Valeu cada centavo.

Uma velha lenda das escola de samba diz que, no esquenta, dá para sentir o cheiro da pólvora da campeã. O clima para cima começou com o incrível casamento de cantor Neguinho, em pleno primeiro recuo da bateria. E prosseguiu com as emocionadas palavras do diretor de carnaval Laíla: - Temos de ganhar este título de qualquer maneira. Porque é para o Neguinho.

Este, ao assumir o microfone, pela primeira vez não deu o grito de guerra "Olha a Beija-Flor aí, gente'. Disse, emocionado; - Agradeço a Deus e a todos que lutaram pela minha recuperação - referindo-se ao câncer de que é vítima. Se houve tristeza, ela parou ali, revestida em entusiamo e emoção durante o desfile impecável.

O carro abre-alas, mostrando os banhos de leite de Cleópatra, com os quais seduziu o romano Marco Antonio, foi um dos mais bonitos e bem acabados dos últimos carnavais. De antologia.