Paulo Barros não 'renasce' na Renascer de Jacarepaguá

Vagner Fernandes, JB Online

RIO - Paulo Barros e Paulo Menezes acreditaram que inovariam no desfile da Renascer de Jacarepaguá, colocando alegorias humanas em um abre-alas negro que se convertia em trem por meio do deslocamento das composições. Erro grave. Na passarela do samba não há quem não sinta enfado ao ver novamente carro alegórico com pessoas se movimentando. Isso é passado. E, ao que tudo indica, Paulo Barros ainda não entendeu que a reformulação de seus conceitos estéticos para o Carnaval tornam-se imprescindíveis. Iniciar um desfile, lançando mão da cor negra também não é novidade. Joãosinho Trinta fez isso em "Trevas, luz, a explosão do Universo" para Viradouro em 1997 e abocanhou o campeonato. O abre-alas, todo negro, feito por sacos e outros materiais plásticos, causou impacto. João é mestre.

A Renascer fez uma exibição pouco original e não empolgou o público. Pouco original, porque em todos os carros lá estavam as tais alegorias humanas. Carros que procuraram dar uniformidade ao enredo 'Como vai, vai bem? Veio a pé ou veio de trem?. A quarta alegoria, repleta de ciclistas em coreografias comuns, sem criatividade, impressionava pelo tamanho, não pelo conceito. Aliás, muitas correntes das bicicletas se desprenderam, gerando insegurança aos componentes.

Na fantasia dos Paulos Barros e Menezes teve até embarcação se transformando em aeronave, tentativa de se criar uma solução original para retratar viagens pelo mar ou pelo ar. Não aconteceu. Ficou evidente no Carnaval da Renascer que desfiles anteriores de outras escolas serviram como fonte de inspiração à dupla. Fantasias de várias alas lembravam às da Tradição em 'Passarinho, passarola, quer ver voar' (1994). E a devoção à Joãosinho Trinta veio no último carro novamente para sacramentar o que o abre-alas já apontava: um Cristo (com o rosto de Mr. Trinta) coberto por um saco plástico preto que servia como pano de fundo para um cartaz com a frase: 'Mesmo proibido, olhai por nós', alusão ao irrepreensível desfile da Beija-Flor, de 1989, 'Ratos e urubus, larguem minha fantasia'.